Paulo Pasta inaugura mostra na Estação Pinacoteca

Iberê Camargo (1914-1994) se definia como o "homem-pintor" - arte e vida sempre estiveram engrenhadas caminho inevitável para o mestre gaúcho. Paulo Pasta, que coloca Iberê como um dos pilares da história da pintura brasileira recente, e um dos mestres de sua formação, concorda que também é um "homem-pintor", mas diferente: ele não se transpõe tão rapidamente em suas telas. A pintura de Paulo Pasta não tem o turbilhão gestual das pinturas de Iberê da década de 1960, o seu transpor é silencioso. Os elementos de suas composições (podem ser colunas ou ogivas, por exemplo) estão parados, em silêncio, e cabe ao olhar, também silencioso, perceber o que está nesses elementos, o que está entre eles - porque o que está entre também se transforma em forma -, uma revelação lenta. Da Geração 80, a que pintou, Paulo Pasta é um dos quecontinuaram pintando até hoje, mas não por ideologia, comoafirma. "Pintura é minha linguagem, por meio dela faço algo meu" diz o artista paulista, que na quinta-feira inaugura uma grandeexposição na Estação Pinacoteca, em São Paulo. A mostra, comcuradoria de Tadeu Chiarelli, reúne cerca de 40 obras realizadasentre 1987 e este ano, uma espécie de antologia da produção doartista - mais adiante, no início de setembro, também serálançado um livro sobre Paulo Pasta, pela Cosac Naify, com textosde Chiarelli, Paulo Venancio Filho, Lorenzo Mammì e cronologiapor José Bento Ferreira. É curioso que Chiarelli tenha eleito uma obra de Pasta,de 1987, como símbolo: "Fortuna", que tem a palavra escrita emletras imensas, como parte da composição, também dá título àmostra. Um dos caminhos é se prender ao sentido dessa palavra.Do dicionário, descobre o curador, "fortuna pode significarsorte e má sorte, desventura e êxito, casualidade e destino".Naquela década de 1980, quando se pintava depois de a pinturaser declarada mais uma vez morta, Paulo Pasta lançava suatrajetória nesse terreno de oposições - mas como a pintura élinguagem tão própria do artista e, ao mesmo tempo,"extemporânea", manteve-se naturalmente viva. Não importam os elementos que as obras de Pasta carregam as "colunas, ogivas, lápis apontados, cacos, cruzes" são, comoele diz, "cenários para o nada", dão a forma para dar sentido emesmo o contraste entre as cores não é brusco para criar uma"suspensão temporal" tal qual da metafísica italiana: "Pinto aausência e, por isso, preciso de presenças." Diante de suaspinturas, o "silêncio é mais eloqüente que a discurseira." Paulo Pasta. Estação Pinacoteca. Largo General Osório, 66,3337-0185. 3.ª a dom., 10 h às 18 h. R$ 4 (sáb. grátis). Até10/9. Abertura amanhã, 19h30I

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