Paulo Monteiro faz do corte sua arte

A individual que Paulo Monteiro inaugura nesta quinta-feira na Marília Razuk Galeria de Arte dá continuidade ao trabalho do artista, que desde o início de sua carreira persegue a idéia de tornar evidente em peças tridimensionais os processos utilizados na construção de suas esculturas.A mostra que fica em cartaz até o dia 9 de dezembro reúne cerca de 40 obras, de chão e de parede, feitas de chumbo ou estanho fundido, realizadas com o apoio da Bolsa Vitae de Artes. A última individual do artista, que participou do grupo Casa 7, foi realizada na mesma galeria, há dois anos, e desde então vem participando de coletivas pelo País.Os objetos de Monteiro são o resultado direto da maneira como ele manipula o molde das esculturas. A forma das esculturas que classifica como obras de chão, por exemplo, reproduzem a malemolência da argila crua. Sua quase disformidade, pesada e orgânica, é transformada pelos cortes transversais que o escultor realiza com arame. Os resultados das incisões, como partes da argila que cedem ao corte como línguas de barro, são reproduzidos no metal. "Gosto de trabalhar com o chumbo porque ele me fornece um resultado rápido e direto", observa ele, que utilizou o estanho em apenas duas das esculturas da exposição."A única coisa que molda a peça é o gesto", resume Monteiro. Seus objetos apresentam um aspecto geológico, graças ao efeito cumulativo do material que origina a forma, o barro. "São como seixos", compara o artista, referindo-se aos menores objetos da exposição, pequenas peças que cabem nas mãos, expostas em uma bancada como um museu de história natural.O processo do artista é sempre o mesmo: acúmulo e corte. A diferença entre as três famílias de peças da exposição é a forma como os dois gestos se articulam. Nos trabalhos de chão, maiores e mais arredondados, que podem ser vistos do lado de fora e do lado de dentro do espaço, Monteiro apresenta as incisões retas, diagonais, verticais e horizontais que provocam quebras radicais nas esculturas.As criações de parede ou de canto, estreitas e verticalizadas como tacapes, são cortadas mais sutilmente. As incisões do arame são curvas, arredondadas, desenhando a superfície das peças com sulcos talhados a faca. Paulo Monteiro diz, entretanto, que as referências arqueológicas são meros acidentes.Serviço - Paulo Monteiro. De segunda a sexta, das 10h30 às 19 horas; sábado, até 13 horas. Galeria Marília Razuk. Avenida 9 de Julho, 5.719. tel. 3079-5791. Até 9/12. Abertura, amanhã(09) às 20 horas.

Agencia Estado,

08 de novembro de 2000 | 17h15

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