Paulo Humberto, um poeta da imagem

Como escreveu certa vez a artista plástica Carmela Gross sobre seu ex-aluno, o designer gráfico e ilustrador Paulo Humberto Ludovico de Almeida "é um poeta da imagem". A programação visual criada por ele para a peça Coração Brasileiro, de Flávio Marinho e em cartaz no Teatro Hilton, é uma nova prova da sensibilidade artística e cultural de Almeida. Autor de mais de 600 ilustrações para o Caderno 2, de O Estado de S. Paulo, nos últimos quatro anos, ele assina, pela primeira vez, uma logomarca que passa a fazer parte do cenário, num tapete de 54 metros quadrados.Inaugurada há 12 anos por Almeida e pelo sócio Carlo Zuffellato, a BVDA/Brasil Verde é responsável pela programação visual de livros, programas de teatro e música, catálogos de renomados artistas, além de projetos gráficos para grandes empresas. "Fazemos, por exemplo, os programas para os concertos do teatro Cultura Artística e para os Patronos do Teatro Municipal", conta Almeida, que também projetou o livro Reunindo Obras de Carmela Gross - ainda em fase de produção - e Entre, a Obra Está Aberta, de Amélia Toledo, editado pelo Sesi.Amigos há mais de 20 anos, Marinho e Almeida sempre deixaram explícito o desejo de trabalharem juntos. "Mas a distância nos impedia", comenta o diretor, que mora no Rio. "Agora, com tanta tecnologia, funcionou bem, como se ele estivesse aqui do lado." Marinho pediu a ele algo artístico e, ao mesmo tempo, comercial, que não fosse impenetrável. "Também pedi para não hesitar em usar o verde e amarelo; e foi como se ele tivesse lido meus pensamentos, acertou de cara, unindo as duas palavras do título da peça." Segundo o artista, depois de ler o texto do espetáculo, ele criou o que gostaria de ver num programa. "Não impus uma linguagem própria, gosto de fazer trabalhos diferentes em que o tema dita a linguagem", explica Almeida, referindo-se também às imagens que fazem uma breve cronologia dos fatos históricos. Chamados pelo autor de "colagens eletrônicas", esses trabalhos gráficos são "camadas de informação visual".Como o espetáculo Fantasma da Ópera, que é identificado apenas pela máscara, Marinho quer conseguir a mesma referência com a logomarca de Coração Brasileiro - que já foi assistido por mais de 45 mil espectadores no Rio e em São Paulo. Além do bonito efeito visual atribuído ao cenário de Cica Modesto, também responsável pelos figurinos, o tapete serviu de marcação para os atores. "É interessante vê-los caminhar pelas fronteiras do Brasil", afirma. "Durante a peça, eles estão sempre dentro ou fora do coração ou do País."Em paralelo ao trabalho de designer gráfico, Almeida faz incursões pelo universo das artes plásticas. Formado em desenho industrial pela Scuola Politecnica di Design di Milano e assistente da pintora Mira Schendel até sua morte, o goiano estréia em setembro uma nova exposição individual, na Valu Oria Galeria de Arte. Com poucas cores, a exposição, intitulada Pratos Defeituosos, será composta por três séries: pratos, pinturas e caixinhas - "que discutem o brilho e a opacidade, o refelexo e o não-reflexo."Serviço - Coração Brasileiro. Texto e direção de Flávio Marinho. Com Daniel Dantas, Luiz Carlos Tourinho, Luciana Braga e Catarina Abdalla. Sexta e sábado, às 21h; domingo, às 18 h. Preços: R$ 25,00 e R$ 30,00 (sábado). Teatro Hilton. Av. Ipiranga, 165. Tel.: (11) 259-6508. Até 10/9

Agencia Estado,

26 de julho de 2000 | 18h45

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.