Paulo Coelho ganha destaque no NYT

O escritor brasileiro Paulo Coelho concedeu uma longa entrevista ao jornal norte-americano The New York Times, promovendo o lançamento de seu último livro, O Zahir, nos Estados Unidos, em setembro, pela editora HarperCollins. Ele falou da França ao NYT. Na entrevista, comentou que apesar de vender bem não chega a ser uma celebridade no país, ao contrário do que ocorre na França e na Espanha.O texto reproduz a satisfação do escritor ao dar um grito e "chamando um visitante para ler um novo e-mail anunciando que as vendas da edição francesa de seu novo livro passaram os 320 mil exemplares, desde a publicação no país, em maio"."Eu esperava que chegasse a 300 mil", ele disse. Aos 58 anos, o escritor brasileiro vendeu nos últimos 18 anos mais de 65 milhões de cópias de seus livros em 59 idiomas, o que o coloca entre os escritores de mais sucesso no mundo. Cada novo livro, que ele escreve em português, envolve enormes operações de tradução, publicação, distribuição e marketing. E, parece, o senhor Coelho apenas senta e contabiliza as vendas".Segundo a reportagem, O Alquimista, "livro de levou Coelho a sucesso internacional, lançado pela primeira vez no Brasil em 1988, já vendeu quase 27 milhões de cópias no mundo todo, e quase 2,2 milhões apenas nos Estados Unidos".Apesar disso, Coelho diz que "não sou nos Estados Unidos o que sou na França, na Espanha ou na Alemanha. Lá eu sou um grande sucesso, mas não uma celebridade". O repórter Alan Riding observa que "o escritor não tem uma vida de celebridade". Passa metade do ano no Rio de Janeiro, sua cidade natal, mas vive nesta pequena vila francesa, Saint Martin, onde ele diz que se sente mais tranqüilo. "Tenho uma televisão com 500 canais e moro em uma vila sem padaria", brinca ao falar sobre o aspecto bucólico da região onde vive."Sou católico", ele diz, "não tão ligado à Igreja, mas à idéia da Virgem". Mesmo assim, apesar de tratarem de buscas espirituais ou viagens interiores, os livros de Coelho fazem sucesso em países de culturas muito diferentes entre si, como Egito, Israel, Índia e Japão. Como ele explica isso? "Sei que temos as mesmas perguntas", ele disse. "Mas não temos as mesmas respostas". "Cada livro tem um pouco de mim", ele explicou. "O que me surpreende é ser chamado de escritor espiritual. Para mim, a busca pela felicidade é uma mentira, como se existisse um ponto onde tudo muda e você se torna sábio. Eu acredito que a revelação vem com a vida diária". Sobre as críticas negativas, ele diz ser estóico. "Ninguém vai mudar meu jeito de escrever", ele disse. "Borges disse que há apenas quatro histórias para serem contadas: uma história de amor entre duas pessoas, uma história de amor entre três pessoas, a luta pelo poder e a viagem. Todos nós escritores reescrevemos as mesmas histórias ad infinitum.""Mas uma coisa eu não aceito, que é criticar o leitor, dizer que o leitor é burro. Você pode falar mal de mim, dos meus livros, mas você não pode falar mal do leitor".

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