Paulo Coelho diz que segurança do Rio 'é a mesma da Suíça'

Em encontro cultural em Milão, escritor fala ainda sobre temas como falta de imaginação do mundo moderno

Ansa,

04 de julho de 2008 | 13h16

Da importância do mistério à beleza da vida de Cristo, do amor pela sua cidade, o Rio de Janeiro, aos perigos intrínsecos da memória: Paulo Coelho falou sobre diversos temas nesta sexta-feira, 4, durante um encontro em Milão, promovido a convite de uma instituição italiana. Na quinta, no Teatro Dal Verme, o escritor brasileiro já havia realizado uma aplaudidíssima leitura.   Falando também sobre temas menos filosóficos, o escritor aproveitou a ocasião para lançar uma forte defesa do Brasil e do Rio de Janeiro, cidade "da qual a CNN e outros veículos da mídia nunca perdem a ocasião de falar mal". A violência, disse Coelho, "não é uma prerrogativa do Brasil" e a segurança que existe no Rio de Janeiro "é a mesma da Suíça".   No teatro lotado, Coelho criticou a falta de imaginação do mundo moderno, "muito pragmático e ligado ao conceito de utilidade". Na palestra desta sexta, retornou sobre o mesmo tema, falando da "obsessão de explicar tudo".   Cada cultura, disse o escritor, dá respostas diferentes na busca das perguntas fundamentais do homem, "por isso é que muitas vezes surgem problemas e conflitos". Para ele existem duas maneiras de superar este impasse: por um lado, "ser mais humilde" na busca pelas respostas, por outro, manter aberta "a porta do mistério", porque, segundo o escritor, nem tudo pode ser explicado pela racionalidade.   Outro tema central do encontro foi a memória, "útil e ao mesmo tempo perigosa", disse o escritor, "porque você se torna apenas o que precisa fazer e não o que você quer". A memória seria ruim também para as relações amorosas, porque "acabamos por amar menos se continuamos a viver as lembranças negativas de nossas experiências passadas".   "O segredo da redenção humana é reconhecer os próprios erros, mas o fato de ter cometido erros não significa que preciso pagar por toda a vida", afirmou Coelho. "A beleza do povo brasileiro, e acredito também do italiano, reside na nossa capacidade de fazer um exame de consciência. Todos temos o direito de errar", concluiu.

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