Paulo Coelho comemora 20 anos de sua obra 'O Alquimista'

Comemoração será encontro do escritor com leitores para responder perguntas sobre o famoso livro

Catalina Guerrero, da Efe,

27 de maio de 2008 | 14h39

Paulo Coelho vai comemorar nesta semana 20 anos da primeira edição em português do livro O Alquimista, obra que lhe abriu "todas as portas", mesmo que o escritor afirme que não gosta de olhar para trás, pois o presente é o que lhe interessa. Veja também:Escritor emplaca dois livros na lista de best-sellers do NYTPaulo Coelho é homenageado com caneta de luxo e nome de rua  Paulo Coelho resumiu à agência de notícias Efe, em entrevista concedida na segunda-feira, 26, sua filosofia de vida em uma frase: "Morrer vivo". O Alquimista foi um livro que, "graças a Deus, me abriu todas as portas", declarou Coelho em Barcelona, onde fez uma parada entre sua viagem de Cannes a Avilés (norte da Espanha). Organizada pela Fundação Niemeyer, a comemoração dessa data - a única prevista até o momento - acontecerá nos dias 29 e 30 de maio na citada cidade asturiana. E consistirá em um encontro de Paulo Coelho no Teatro Palácio Valdés com leitores presentes e virtuais (através da internet) para responder a suas perguntas, uma exposição de capas originais de diversas edições de O Alquimista e uma leitura pública do romance, um sucesso de vendas no mundo todo. "Celebrar é algo muito importante, celebrar a vida o tempo todo. Eu não comemoro só os 20 anos de O Alquimista, comemoro o fato de estar vivo, celebro-o todos os dias", ressaltou o escritor. A ponto de completar 60 anos, Coelho refletiu que 20 anos são "um terço" de sua vida: "Vinte anos para mim é uma vida, a cada dia é uma vida. Por isso, não olho muito para trás. Porque estou completamente situado no presente, interessa-me o presente". O presente - insistiu - é "o que mais valorizo na vida", uma vida na qual teve que ser compositor de famosos cantores brasileiros, dramaturgo, roteirista de televisão e jornalista para realizar seu sonho de ser escritor. Do jornalismo, disse que aprendeu a ser direto e sintético. "Não é necessário complicar para ser profundo", disse Coelho. Graças ao O Alquimista, ele agora pode fazer o que "tem vontade", como viajar, participar de atividades sociais e manter seu ritmo criativo de um novo livro aproximadamente a cada dois anos. O autor de Onze Minutos, Brida, O Zahir, Veronika Decide Morrer, O Demônio e a Srta. Prym e O Manual do Guerreiro da Luz afirmou que é "uma prova viva de que quando uma pessoa deseja algo com todas as suas forças, o universo inteiro conspira para que possa realizá-lo". O Alquimista é livro que, em breve, poderá se transformar em filme. Apesar disso, Paulo Coelho, com mais de 100 milhões de livros vendidos, não quer saber nada ao respeito. "Li algo por aí. Não só não tenho qualquer idéia, mas não tenho interesse. Me interessa muito mais a literatura", afirmou. Como exemplo, disse que em 2 de maio começou em Nova York as gravações da adaptação para o cinema de Veronika Decide Morrer, da qual só sabe quem á atriz protagonista e o dia em que terminará, 20 de julho. Ele gostaria de assistir ao filme, mas não interferiria em um projeto que não é seu: "É minha neta, não é minha filha. A uma filha se diz que me preocupa isso ou aquilo, mas a uma neta se deseja muita felicidade, ama-se, mas não se pode fazer nada". O que lhe interessa, e muito, é a internet, onde é "muito ativo", tendo um blog e pertencendo a várias comunidades sociais, o que lhe permite "manter um contato direto com os leitores". Vanguardista em sua relação com a internet, Paulo Coelho abriu há três anos uma página com links para todos os sites de onde se pode baixar seus livros em todos os idiomas. Os dez primeiros capítulos de seu último livro, A Bruxa de Portobello, ele colocou primeiro na internet para perceber as reações de seus leitores, pois "um escritor escreve para saber que não está só, para saber que compartilha algo de si mesmo". Esse livro, que tem 15 narradores, é objeto também de um inovador experimento. O escritor propôs aos internautas que escolham um personagem e o filmem interagindo com a protagonista, Athena, para finalmente, com os melhores vídeos, montar uma fita que vai exibir em festivais de todo o mundo. Trata-se, definitivamente, de "não se deixar paralisar"; a vida para Paulo Coelho é "puro movimento", uma sucessão de ciclos que se abrem e que se fecham, e sua filosofia, "morrer vivo". "No dia em que eu morrer, quero estar vivo. Porque muita gente morre antes, vive com medo, andando, mas já não tem vontade de viver." "Minha filosofia de vida é estar vivo até o último momento da minha vida, dure o que durar. Pode terminar agora, pode terminar não sei quando. Mas no momento em que acabar, no último segundo, quero dizer: 'bom, vivi até este momento'".

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