Paulo Borges e Eloysa brigam pelo mercado fashion

Substituída pouco antes de começar esta edição, Eloysa Simão continua com a feira de negócios do evento

Clarissa Thomé de O Estado de S. Paulo,

10 de junho de 2009 | 21h17

Um barraco chique marcou o Fashion Rio. De um lado, está o novo coordenador do evento, o paulista Paulo Borges, do outro, a carioca Eloysa Simão, antiga organizadora do Fashion Rio, substituída pouco antes de começar esta edição. Eles brigam agora pela organização do Fashion Business - bolsa de negócios, que movimentou R$ 461 milhões este ano, 4% a mais do que o evento passado de verão -, que também acontece no Píer Mauá, só que em galpão separado do Fashion Rio.

 

Na segunda-feira passada, numa festa no Copacabana Palace, Eloysa anunciou que continuaria à frente do Fashion Business, agora chamado Fashion Business Tech, e que passa a ser financiado pela Federação do Comércio do Rio (Fecomércio), com novidades tecnológicas voltadas aos lojistas. Depois que perdeu o cargo para Borges, Eloysa fechou acordo com a Fecomércio, mas só conseguiu ficar à frente da feira de negócios por força contratual.

 

A Firjan e Paulo Borges contra-atacaram: na terça-feira, empresários que têm estandes no Fashion Business receberam uma carta, avisando que a Luminosidade de Borges estaria à frente de uma bolsa de negócios na próxima edição de desfiles da moda outono-inverno. O diretor chegou a determinar o posicionamento de fotógrafos no contraluz, no desfile de Walter Rodrigues, ao ar livre, para evitar que a marca Fashion Business, exibida na tenda de negócios, ficasse evidente. Fotógrafos e cinegrafistas mudaram de posição, mesmo assim.

 

"Não há disputa. A marca Fashion Business é minha e da Escala Eventos", disse Eloysa. "Acho que a moda do Rio só tem a ganhar. O expositor vai ter mais opções e mais lojistas frequentando seus estandes." Paulo Borges acredita que o próprio mercado vai se encarregar de selecionar, ou assimilar, os eventos. "Sempre digo que o mercado determina e decide o tamanho dos eventos e o sucesso das ações. Não cabe a mim decidir estratégia."

 

O sem-passarela

 

O último dia de Fashion Rio começou com o desfile paralelo da grife niteroiense Homem de Barro, uma das 10 marcas cortadas do evento por Paulo Borges. "A gente ficou meio frustrado. Não teríamos cacife para desfilar sozinhos, sem apoio do evento, mas ser cortado dói", comentou Aline Rabello, estilista da marca que participou de três edições do evento e recebeu um e-mail da Firjan, avisando que quesitos como número de pontos de venda e estrutura da empresa seriam levados em conta.

"Se o critério é esse, não entendemos o corte: temos mais de 50 pontos de venda e estamos em três países, negociando agora com o quarto, Portugal", afirmou Márcio Duque, sócio da Homem de Barro.

Borges disse que eventos paralelos são sempre positivos. Mas disse que não voltará atrás nas mudanças. "O ônus é todo meu. Não é uma questão quem está certo. Eu sou o chef de cozinha agora e vou fazer o macarrão do meu jeito."

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