Paulo Betti pretende filmar "Cafundó"

Mais uma vez, o ator Paulo Betti volta à tela da tevê para viver uma trama de época. Betti interpreta Castro Gomes, o marido de Maria Eduarda (Ana Paula Arósio) em Os Maias. Por coincidência, alguns nomes do elenco também estiveram ao lado dele em Força de um Desejo, último trabalho do ator em vídeo, como Selton Mello (João da Ega) e Fábio Assunção (Carlos da Maia). Implicitamente, Castro Gomes é o grande vilão da trama, mas nada que o compare ao maquiavélico Higino Ventura, de Força de Um Desejo."Ele é incapaz de amar sua própria mulher e assume a visão de que todas as mulheres são objetos, verdadeiros bibelôs. Sem contar que fidelidade não era o forte dele, um homem que vivia de porto em porto... O Castro destrata muito a esposa e quando percebe que a perdeu, faz questão de tirá-la de vez de seu coração", define o intérprete, que assim como o resto do elenco, não precisa fazer sotaque para dar vida ao personagem. "Neste caso, o Castro é brasileiro, mas ninguém do elenco fala com sotaque português. Se bem que minha especialidade é fazer sotaque de falso baiano...", brinca Betti, que até hoje é surpreendido por fãs pedindo que fale alguns dos bordões que utilizava em Tieta e A Indomada. Em paralelo às gravações, Betti já tem planos para colocar em prática um antigo projeto: a realização do filme Cafundó, sobre a vida do líder religioso João de Camargo, um personagem muito conhecido de sua terra natal, Sorocaba, interior de São Paulo, que viveu entre 1858 e 1942, falecendo aos 84 anos. "O projeto de rodar esse filme já existe há sete anos, mas há 45 eu sonho realizá-lo", diz o ator, de 48 anos. "Sou devoto de João de Camargo e até hoje carrego um santinho dele na minha carteira. Tomei conhecimento da vida dele através do meu avô, que era meeiro de uma roça perto de uma igreja construída em homenagem ao Nhô João", lembra, adiantando que Itamar Assunção, Northon Nascimento, Chica Xavier, Zezé Motta e Camila Pitanga são alguns dos nomes que devem participar do filme que ele produz e co-dirige ao lado de Clóvis Bueno. "Como ator, acho que só vou fazer uma pontinha", avisa. Nascido em Rafar, um município da região de Capivari (interior de São Paulo) que possui apenas seis mil habitantes, Betti mudou-se com a família aos três anos para Sorocaba, onde viveu toda a juventude. "Quando descobri que Tarsila do Amaral também nasceu em Rafar, tenho ainda mais orgulho da minha cidade", brinca o ator, que se assume como um grande saudosista. Há oito anos, durante uma viagem de seis meses aos Estados Unidos, Betti conta que sentiu uma saudade enorme de seus amigos de Sorocaba. "Escrevia muitas cartas para eles e um dia pensei em publicar no jornal Cruzeiro do Sul, de Sorocaba. Mandei tudo por fax e desde então escrevo a coluna semanal Histórias de Sorocaba. E essa coluna é o meu grande prazer, é nostalgia pura", admite o ator, que se prepara para passar boa parte de 2001 no interior de São Paulo, rodando seu filme. "Já tenho o roteiro pronto, mas agora estamos iniciando a fase de captação de recursos. Quero começar a gravar em setembro deste ano e lançar em 2002", adianta, lembrando que o orçamento inicial de seu filme é de R$ 3,5 milhões. Há oito anos afastado da política, onde militava pelo Partido dos Trabalhadores (PT), Betti aponta o filme como um dos fatores que o levaram a tomar essa atitude. "Seria muito difícil eu levar o projeto do filme adiante sendo militante de um partido. O engraçado é que até hoje sou conhecido como o ator do PT", diverte-se.

Agencia Estado,

28 de janeiro de 2001 | 17h15

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.