Paulo Betti aposta em "Metamorphoses"

Depois de 15 anos, Paulo Betti saiu da Globo para fazer cinema. Na próxima semana volta ao vídeo como um agente policial incorruptível e romântico na novela Metamorphoses, que estréia neste domingo, na Record. Produzida fora da emissora, a novela é, para o ator de 51 anos, uma aventura que pode abrir mercado de trabalho para atores e técnicos e gerar uma boa concorrência: "Gosto de jogar na segunda divisão para tentar levar o time para a primeira". No intervalo de uma gravação em Santana do Paranaíba, Betti falou com o Estado sobre TV, cinema e inquietude. Estado - Por que você saiu da Globo? Paulo Betti - Tinha um contrato longo, de 15 anos, mas pedi para sair para fazer o meu filme. Não teve medo? Claro. Fiz análise esses dois anos para saber se eu não tinha ficado louco. Mas o medo, se não for muito grande, é bom, dá uma temperada na vida. Mas eu queria fazer o filme. Ou você acredita em seus projetos ou fica imobilizado. Eu sou meio inquieto. Como é esse filme que tirou você da Globo? Chama-se Cafundó. O argumento é meu e o roteiro é de Clóvis Bueno, que assina a direção comigo. É sobre um líder carismático, João Camargo, um ex-escravo que viveu na região onde nasci, perto do Sorocaba. Morreu em 1942, aos 84 anos de idade. O protagonista é Lázaro Ramos. No elenco estão Leandro Firmino da Hora e Alexandre Rodrigues (ambos do elenco de Cidade de Deus), Leona Cavalli, Francisco Cuoco, Luís Mello. Está em fase de montagem e, até o final do ano, estréia. Foi investimento pessoal grande, mas não me arrependo, foi um aprendizado enorme. Como esta grande aventura da qual estou participando, chamada Metamorphoses. Por que aventura? Porque é uma produção independente, uma novela feita fora de uma emissora. É um novo conceito dentro da TV brasileira. A Record teve a coragem de embarcar nesta aventura. Acho participar dela muito saudável. Eu estava há 18 anos morando fora de São Paulo e estava com saudade. Trabalhar com a Tizuka Yamasaki é maravilhoso. Gosto de jogar na segunda divisão para tentar levar o time para a primeira. Antes da Record você esteve em negociação com o SBT para trabalhar em ´Canavial de Paixões´. O que não deu certo? Fazer novela traduzida é chato, não gostei e por isso não topei. Diferente de Metamorphoses, que tem texto original e é uma ousadia. Gravamos com câmera de alta definição como se fosse cinema. Temos três grandes diretores de fotografia, as cineastas Tizuka e Tânia Lamarca. É uma produção sofisticada. Além do mais, trabalho com Myriam Muniz, a melhor atriz brasileira que foi minha professora na Escola de Artes Dramáticas (EAD) e Gianfrancesco Guarnieri, fundador do Arena. Como é o seu personagem? Faço um agente da Polícia Federal sério, incorruptível, que vai investigar os crimes da máfia japonesa. Ele começa solitário mas vai se envolver com a personagem de Francisca Queiroz, que vai cuidar do filho dele. Mora em um sítio, mas depois vai para a cidade. Estou torcendo para que dê certo, porque a TV precisa de uma concorrência boa no campo das novelas, porque abre mercado de trabalho. É bom para os atores, para o público, para todo mundo. Muita gente de dentro da Globo está torcendo para o projeto dar certo. Por que o brasileiro gosta tanto de novela? Paulo - As novelas têm lances rocambolescos, mas também mostram situações parecidas com que o telespectador vive no seu cotidiano. Antônio Cândido diz que é necessidade fundamental do ser humano consumir histórias simuladas.

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