Paulo Almeida abre 1.ª mostra individual em São Paulo

Com pintura o paulistano Paulo Almeida apareceu no circuito de arte. Primeiramente, no ano passado, como um dos selecionados da edição do projeto Rumos Itaú Cultural Artes Visuais 2005-2006. Depois, como um dos participantes da mostra realizada pelas galerias paulistanas simultaneamente à 27.ª Bienal de São Paulo, a Paralela 2006, no prédio da Prodam, no Ibirapuera. Nas duas ocasiões chamaram a atenção suas pinturas que incorporavam a representação do próprio entorno do espaço expositivo onde suas telas se encontravam. Para o espectador, a relação com essas pinturas, de sua série Palimpsesto, transformava-se num misto de identificação do espaço representado e uma ilusão de que tudo pertencia àquela cena: as obras vizinhas dos outros artistas presentes na mesma sala; a memória da primeira representação, em transparência, do ateliê de Almeida, ponto de partida dos trabalhos; o visitante, que se via imerso e presente no espaço representado que ele observava à sua frente na tela. Mais do que evocar sentido de contemplação, a percepção de suas pinturas exigia um exercício mais mental. E não à toa o artista Paulo Almeida não se considera um pintor: utiliza a pintura para um projeto conceitual. Em abril ele vai participar da 9.ª Bienal de Cuenca, mas nesta terça-feira Almeida inaugura sua primeira exposição individual em São Paulo, Coletiva 17.11.2004/ 13.01.2007, na Galeria Leme. Aos 29 anos, o desafio dessa vez foi representar numa grande tela, de 3 x 6 metros, feita de quatro módulos, todas as exposições já realizadas na galeria entre 2004 e 2007 - também há seis pequenos quadros feitos a partir de recortes de períodos. Na faculdade, na Faap, Almeida experimentou por meio de diversos meios artísticos trabalhos feitos a partir de sobreposições de situações, mas somente a pintura correspondeu satisfatoriamente. Estudando a história desse gênero, viu que a técnica do pentimento, pela qual artistas alteravam suas telas depois de concluídas, era feita, na maioria das vezes, por questões políticas e religiosas, não pela estética. Começou a realizar naturezas-mortas que iam sendo alteradas; depois, apresentou na 36.ª Anual da Faap uma tela que sofria alterações no espaço expositivo, ao longo da mostra. Assim começou a idéia de Palimpsesto; agora, num passo adiante, chega a esse novo trabalho, feito a partir de fotografias. A obra se transforma mais numa instalação do que numa pintura: o trabalho está imerso na arquitetura (local e representada), imerso de memória. ´Todas as relações fazem nascer uma dinâmica real, que não se fecha´, diz Almeida. Paulo Almeida. Galeria Leme, Rua Agostinho Cantu, 88, Butantã, 3814-8184. De 2.ª a 6.ª, 10 h/19 h; sáb., 10 h/17 h. Grátis. Abertura hoje, às 19 horas. Até 3/3

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