Paulistanos deitam no divã de Freud

Nada mais oportuno, cem anos depois da publicação de A Interpretação dos Sonhos, que a abertura, hoje para convidados e amanhã para o público, da exposição Freud: Conflito e Cultura, no Masp. O legado da psicanálise no Brasil e América Latina tem-se mostrado mais persistente do que nos Estados Unidos e alguns países europeus. Não por acaso, um grupo de psicanalistas e intelectuais vem discutindo, desde o dia 28 de setembro, em seminários no âmbito da exposição Brasil: Psicanálise e Modernismo, os percursos e influências da ciência freudiana no País.Sob curadoria de Olívio Tavares de Araújo, Maria Angela Gomes Moretzsohn e Leopold Nosek, a mostra no Masp foi concebida e realizada pela Biblioteca do Congresso de Washington, há dois anos. Da capital americana, ela seguiu para Nova York e já foi vista em Viena e Los Angeles. O Parlamento americano guarda em seus arquivos mais de 50 mil manuscritos, livros, cartas, fotos, filmes e depoimentos do Pai da Psicanálise. Para essa exposição, foram reunidos ainda alguns objetos de uso pessoal do vienense, como o famoso divã, sua coleção de antigüidades e videoclipes. Parte desse acervo pertence ao Museu Freud de Londres, onde o psicanalista passou os últimos anos de vida exilado do regime nazista, e do Museu Sigmund Freud de Viena. Reprodução/AEÍcone da psicanálise, divã de Freud pode ser visto em São Paulo a partir de hojeRadiografia de Freud - A mostra foi organizada em três grandes módulos. Os Anos de Formação relata os dados biográficos e reconstrói o ambiente sócio-cultural onde Freud cresceu e se formou. Foram anos de hostilidades, por parte da comunidade médico-científica de Viena que mal tolerava os princípios defendidos por um de seus membros, e de grandes conflitos pessoais. Em O Indivíduo: Terapia e Teoria, o público poderá acompanhar a evolução dos mais importantes conceitos formulados por Freud vinculados aos casos clínicos. Finalmente, o terceiro módulo, Do Indivíduo à Sociedade, retrata a difusão da psicanálise nos campos social e cultural. Em 1998, quando foi inaugurada em Washington, uma cascata de polêmicas e discussões agitou o mundo intelectual americano. As críticas dos descontentes se dirigiam principalmente à propalada influência da psicanálise na cultura dos Estados Unidos e de sua eficácia no tratamentos de distúrbios psíquicos. No Brasil, os debates sobre a clínica psicanalítica ainda não ganharam grande dimensão. A oportunidade para iniciá-los pode se dar agora com a abertura da mostra no Masp. Freud: Conflito e Cultura, de 10 de outubro a 17 de dezembro, de terça a domingo, das 11 h às 18 h. Ingressos: R$ 10 e R$ 5 (para estudantes). Masp (Av. Paulista, 1578, tel.: 251-5644). Vernissage hoje para convidados. Abertura amanhã para o público.

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