Pauliceia Literária conta com Lygia Fagundes Telles

Maior escritora brasileira viva, Lygia Fagundes Telles resolveu aproveitar o sábado, 21, ensolarado de início de primavera para dar uma espiada na Pauliceia Literária, que era realizada desde quinta-feira, 19, na sede da Associação dos Advogados de São Paulo, no Centro. Foi prestigiar a mesa das 11 h, que levava seu nome e tinha como objetivo debater sua obra e discutir o papel da mulher na literatura e na sociedade.

MARIA FERNANDA RODRIGUES, Agência Estado

23 Setembro 2013 | 09h50

O auditório estava quase lotado. Os ternos e terninhos que acompanharam a plateia nos dias anteriores ficaram em casa. A poucos passos dali, no Largo do Café, os restaurantes entravam no clima de descontração e se preparavam para o almoço: feijoada com chorinho.

Antes que Ana Maria Machado, Beatriz Bracher e Luiza Nagib Eluf subissem ao palco, Lygia entrou no auditório ao som de aplausos e de gritinhos de uhu. Acenou para a plateia, deu bom-dia, mandou beijos. Sorriu para celulares e tablets que eram apontados para ela por alguns participantes que queriam levar uma recordação para casa.

Da primeira fila, Lygia, que estou Direito nos anos 1940, assistiu, atentamente, as três convidadas lerem trechos de seus livros e riu com a plateia em algumas passagens. Ana Maria Machado, sua colega de Academia Brasileira de Letras, escolheu o conto A Garota da Boina, mas não deixou de destacar As Horas Nuas, "um dos romances mais maduros e universais da literatura do século 20". Advogada especializada em crime passional, Luiza Eluf leu Venha Ver o Pôr do Sol, conto que a fez lembrar de tantos casos reais de violência contra a mulher.

Beatriz Bracher confessou que leu As Meninas e não voltou mais à obra de Lygia. "Sei por que evitava. Era muito próxima", disse. Para participar da Pauliceia, pegou os contos, e entre eles, selecionou Apenas Um Saxofone. Era uma outra face feminina. Agora, não mais a mulher que é seduzida e sofre, mas a que faz sofrer.

Terminada a leitura, Lygia, que foi só para assistir, pediu a palavra: "Cairia agora em prantos, mas não me esqueço do meu filho dizendo que jovem chorando é ótimo, mas uma velha é um horror." Ela disse que gostaria de estar no palco, mas que era apenas "uma mulher de perna quebrada". E começou a contar sua história e lembrar passagens curiosas de sua trajetória. Ela, que já não participa mais de tantos encontros como este, estava a vontade, e queria falar mais. Mas a palavra voltou ao palco, a conversa continuou lá em cima, e Lygia teve de ir embora. Saiu, aplaudida de pé e acenando para o público.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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