Márcio Rodrigues
Márcio Rodrigues

Paula Pimenta fala sobre adaptação do best-seller ‘Fazendo Meu Filme’ para o cinema

Primeiro livro da série, publicado em toda a América Latina, ganhará as telonas em 2021 e terá autora como co-roteirista

Carla Menezes, O Estado de S.Paulo

29 de setembro de 2020 | 10h00

O primeiro livro da série infantojuvenil Fazendo Meu Filme, da escritora mineira Paula Pimenta, será adaptado para o cinema em 2021. O best-seller, que já vendeu mais de 250 mil cópias e foi publicado em toda a América Latina, conta a história de Fani, uma adolescente cinéfila que descobre a paixão pelo melhor amigo, Léo, pouco antes de partir para um intercâmbio cultural na Europa. 

Cheio de referências a filmes e músicas pop, o livro se passa em Belo Horizonte - cidade que deve ser cenário da adaptação para as telonas. Em entrevista ao Estadão, Paula Pimenta falou sobre seu papel como co-roteirista e os desafios de transformar um livro em uma versão cinematográfica o mais fiel possível à história original.  

“Quero que a gente veja na tela o que a gente lê no livro. Eu estou muito ansiosa, vai ser a realização de um sonho”, disse ela. Este será o segundo filme baseado em livros da autora. Cinderela Pop, lançado em 2019, foi protagonizado pela atriz e apresentadora Maísa Silva e agora está disponível na Netflix em mais de 100 países. Em julho, quando entrou no catálogo da plataforma, foi parar no ranking dos mais assistidos em países como França, Holanda e Suíça. 

“É muito legal levar a literatura nacional para as telas, algo que a gente vê desde sempre no cinema internacional. São os nossos hábitos ali, os personagens são muito ‘gente como a gente’. No Brasil, as adaptações não são tantas assim.” O filme, uma co-produção da Panorâmica e da Galeria Distribuidora, estava previsto para este ano, mas precisou ser adiado por conta da pandemia do novo coronavírus.

Confira a entrevista completa:

O que você vai levar da experiência com 'Cinderela Pop' para a adaptação de 'Fazendo Meu Filme'? 

Nossa, foi muito bom ter tido outro filme antes desse porque eu até falo que se Fazendo Meu Filme fosse o primeiro eu iria surtar (risos). É meu queridinho. Eu vi que no cinema o livro tem que passar por mudanças e com certeza não estaria preparada para isso se FMF tivesse sido o primeiro. Por exemplo, os meus livros são em primeira pessoa, então como é que você conta o pensamento da personagem no cinema? Não dá pra ter voz em off o filme inteiro, tem que transformar esses pensamentos em ação. Tem o tempo do filme também, que não dá para colocar tudo, tem que cortar algumas coisas.

Você é co-roteirista do novo filme. Como tem sido o trabalho? 

Pelo menos o primeiro tratamento do roteiro que eu já tive contato acho que os leitores vão amar, não vão reclamar de nada porque realmente está bem fiel. Eu vou tomar conta desse filme da mesma forma que tomo conta dos meus livros, quero que todo mundo saia satisfeito. Os meus livros são muito musicais, coloco uma trilha sonora em cada um deles. Infelizmente, no filme não dá para ter a maioria das músicas por conta de direitos autorais, é tudo muito caro e tem um orçamento que temos que seguir. Essa é uma parte que talvez a gente tenha que adaptar, talvez não dê para entrar todas as músicas do CD do Léo e da Fani.

Fazendo Meu Filme tem dois personagens “não oficiais”: as músicas, como você já mencionou, e Belo Horizonte. O filme vai ser gravado em BH?

Acho que as partes externas vão, sim. As internas eu não sei, porque a maior parte do elenco e da equipe técnica é do Rio e São Paulo. Mas as externas com certeza vão ser aqui (em Belo Horizonte), é uma exigência que eu fiz porque o livro é passado aqui. 

A pandemia afetou o processo de produção?

Nós chegamos a fazer alguns testes de elenco no ano passado para o Léo e para a Fani, mas com a pandemia não teve jeito de fechar com ninguém por conta da agenda, não dá para saber quando exatamente vai ser filmado. Realmente atrasou tudo. O que eu sei é que vai ser no ano que vem.

O que você pode adiantar sobre o elenco?

É uma coisa que eu gostaria muito, é até um pedido meu para a produtora, que Fazendo Meu Filme não tenha, pelo menos como os protagonistas, rostos muito carimbados, gente que já foi muito marcada por outros papéis. Eu gostaria que eles ficassem marcados pelo Léo e pela Fani. Os atores que eu gostei já fizeram trabalhos, mas não foram protagonistas ainda.  

Doze anos atrás, quando você escreveu o livro, já pensava em transformar a história em um filme ou não era sequer um sonho na época? 

Na verdade, não sonhava nem em publicar. Eu escrevi o livro pra mim, mas depois minha mãe e minhas primas leram e falaram que mais gente tinha que conhecer, que eu tinha que publicar. Quando eu publiquei, achando que ninguém ia ler, só meus amigos mesmo, comecei a receber muitos recados pedindo o filme e pensei ‘nossa, ia ser demais’. Quando escrevo, vejo a cena, sonho com os personagens, tenho eles bem nítidos na minha mente mesmo. 

Fazer cinema no Brasil não é fácil. Para você, qual é a importância de ver outro filme baseado em um livro seu e cujos personagens principais não são do eixo Rio-SP?

Eu acho muito legal levar a literatura nacional para as telas, algo que a gente vê desde sempre no cinema internacional. No Brasil, as adaptações não são tantas assim. E saber que com o streaming o mundo inteiro provavelmente vai ter acesso a esse filme, chega até a ser emocionante, porque são os nossos hábitos ali, os personagens são muito gente como a gente. Nos filmes de high school americano, tem sempre o futebol, as líderes de torcida, o popular da escola, e aqui a coisa não é tão estereotipada assim. 

Você lançou o Lado B, que é a versão do primeiro livro de Fazendo Meu Filme sob o ponto de vista do Léo. Você pegou algumas coisas dele para o roteiro?

Peguei muita coisa, até porque isso foi algo que o produtor me falou quando estávamos conversando sobre o roteiro. Ele disse que era a Fani em 100% das cenas e que a gente não poderia fazer assim. Eu já estava quase no final do Lado B, então foi muito legal porque eu pude pegar muitas cenas do Léo com o Rodrigo e com o irmão dele. 

Nesses últimos meses de 2020 o foco vai ser total no filme ou você vai escrever algum livro também? 

Estou escrevendo Minha Vida Fora de Série 5, até falo que o livro está encantado porque não consigo terminar (risos). É complicado, o meu estilo de escrever de antes da pandemia mudou, está mais lento, mas estou escrevendo. Quero muito terminar ainda esse ano.

E o que você acha que os fãs do livro vão achar do filme? 

Do que eu já vi até agora no roteiro, acredito que vão achar bem fiel. Quero que a gente veja na tela o que a gente lê no livro. Eu estou muito ansiosa também, vai ser a realização de um sonho. De todos os meus livros que estão em produção, esse é com certeza o que eu mais espero e acho que vou ficar mais emocionada de assistir.

 

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