Patricia Centurion

Você sempre diz que não é comerciante de joias, que para você o design de joias não é um negócio. Muito por isso, seus temas têm sempre um significado a mais. Desta vez, é a mandala. Sim. Poderia fazer qualquer coisa se meu intuito fosse 'vender'. Mas a vida me levou para as joias. A joia, além de significado próprio, de algum tema que eu estou pesquisando, algo pessoal... Mas deve ser atemporal e poder ser usada pela minha filha e pela minha avó. Por isso, cada coleção tem um conceito. Crio coisas nas quais acredito. A história da mandala tem tudo a ver com o momento que estou vivendo.

FLAVIA GUERRA, O Estado de S.Paulo

13 de novembro de 2011 | 03h08

A nova é inspirada em sua irmã? Sim. A coleção da mandala é uma homenagem à Gabriela, que perdi em um acidente há um ano. Foi ela quem me apresentou à mandala que, em sânscrito, significa círculo, que representa o equilíbrio da relação entre o homem e o cosmo. A gente desenhava mandalas com meus filhos (Theo, de 7, e Maria Eugênia, de 10). Ela explicava o significado... Foi ela também quem me apresentou à numerologia. Sem relação nenhuma com religião ou crença, os números têm significados e por isso criei 18 conjuntos de mandalas, com desenhos que simbolizam energia, o número, que cada um precisa 'vibrar' mais na vida. O meu é o três, Além disso, mandalas são lindas.

Para você, o belo é necessário.

Claro! Arte, moda, design trazem significado para a vida. A joia, tem história. Não importa quanto custa. Importa o momento que uma peça representa. Quem te deu de presente, se você mesmo comprou para si.

Assim trabalha em seu ateliê?

Sim. Não é uma joalheria convencional. Não é preciso 'se vestir' para ir a um ateliê. Quem vai lá é como se estivesse na minha casa e, ao mesmo tempo, em um self-service. As clientes pegam uma bandeja, vão abrindo gavetas e pegando o que querem. E depois a gente pensa junto em uma peça. Por isso não há uma produção em série. Tem linhas, que começo querendo fazer 20 peças e faço centenas. É orgânico.

Como se tornou ourives?

Queria fazer desenho industrial. Mas também queria morar fora. E fui para a Itália. Descobri uma faculdade de joias lá. Por quatro anos, todo dia, tinha quatro horas de 'bancada', fazendo joias na mão. E tinha aula de história, gemologia, desenho técnico, ilustração, tecnologia. Foi incrível.

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