Erika Nunes/Divulgação
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Patrícia, a voz que vem do Amapá

Patrícia Bastos é a boa nova que vem do Amapá. Dona de uma voz cristalina e aprimorada desde quando entrou para um coral, aos 9 anos, ela interpreta hoje no Sesc Vila Mariana as canções de seu primoroso álbum, Eu Sou Caboca, selecionado pelo Projeto Pixinguinha de 2009.

Lauro Lisboa Garcia, O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2010 | 00h00

Antes no disco e agora no show Patrícia conta com a percussão do excelente Trio Manari, do Pará, e do violonista paulista Dante Ozzetti, que assina a direção musical dessa turnê. "Mudamos um pouco os arranjos, usando menos instrumentos, porque não era possível viajar com todos aqueles músicos", explica a cantora.

Embora não tenha recebido crédito, o Manari gravou muita percussão no disco. O cantor e compositor gaúcho Vitor Ramil participa de Pequeno Pescador, de Vicente Barreto e Joãozinho Gomes, compositor que ela mais gravou em seus álbuns.

Em Eu Sou Caboca, Gomes assina outras parcerias, com Dante, Zeca Baleiro, Celso Viáfora (a faixa-título) e Enrico Di Micelli. Patrícia também incluiu a bela Natureza, de Rosinha de Valença e Leci Brandão, e Milagre Fugaz, de Nilson Chaves e Thiago de Mello. O paraense Chaves é um nome fundamental para ela. "Nilson é a referência maior que a gente tem da Amazônia. Ele me ajudou muito na escolha do repertório do disco, foi muito importante nesse trabalho."

A relação com a natureza e os ritmos do Amapá (como o marabaixo e o batuque) e de outras partes da Amazônia (como retumbão e carimbó) têm forte presença na música de Patrícia, mas ela procura equilibrar o orgulho da origem indígena com os interesses de uma pessoa "antenada no mundo". Seu pai já era assim, "comprava discos de tudo quanto é estilo", lembra Patrícia, que é também filha de cantora e neta de curandeira e parteira.

Curiosamente, Patrícia quis levar para sua música a sonoridade que ouvia nos trabalhos de Dante e Ná Ozzetti. "O Amapá fica lá escondidinho, mas a gente é muito curiosa e então acaba pesquisando e encontrando afinidades com outras pessoas." No fim, ela que já cantou samba e bossa nova em sua primeira banda, e animou bailes, acabou "juntando todas as tribos".

PATRÍCIA BASTOS

Sesc Vila Mariana. Rua Pelotas, 141, 5080-3000. Hoje, 20h30. R$ 3 a R$ 12.

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