Brendan Hoffman / The New York Times
Brendan Hoffman / The New York Times

Pastelão tosco que projetou Volodmir Zelenski chega ao streaming

Sem profundidade, com atores caricatos e diálogos sofríveis, 'O Servo do Povo' só é interessante para quem tem curiosidade histórica para entender como aquilo deu nisso

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

23 de maio de 2022 | 03h00

A Netflix e a HBO Max incluíram em seus cardápios a série O Servo do Povo – a produção que, realizada entre 2015 e 2019, projetou Volodmir Zelenski na Ucrânia e colocou o comediante na presidência do país. Trata-se de uma comédia interessante só para quem tem curiosidade histórica e procura entender como aquilo deu nisso.

A série é um pastelão tosco do começo ao fim e reverbera a narrativa da antipolítica do contra tudo isso que está aí. Como produto audiovisual, é ruim em todos os sentidos. Não tem graça nem profundidade, os atores são caricatos, os diálogos sofríveis, a estética é brega e o resultado final é um pastiche no nível de A Praça é Nossa.

Canastrão

Zelenski é um baita canastrão que aparece como herói antissistema e vai trabalhar de bicicleta mesmo depois de chegar ao poder. O roteiro foi feito sob medida para esculachar a classe política e exaltar o ressentimento e um povo cansado de ser humilhado.

Internet

O hoje presidente surge na trama como um professor que vira presidente por acaso, após um vídeo com uma diatribe gravado por seus alunos viralizar na internet. Uma vez no poder, o sujeito embarca em uma jornada contra isso tudo que está aí. Leiam-se políticos e a própria política. 

Spin-off

O Servo do Povo pode ser visto como um spin-off da guerra. O protagonista, quem diria, foi aplaudido em Cannes e tornou-se um herói do mundo livre. É como se o Tiririca surgisse em cena para salvar o Brasil da ditadura. 

Sem concessões

O Servo do Povo é uma série ruim do começo ao fim, sem concessões. Em tempo: a série estreou na Ucrânia no ano de 2015, bem antes de Zelenski ensaiar a vida pública.

Ruim do começo ao fim

A segunda temporada da série Irmandade chegou pela Netflix depois de três anos e ainda não arranha a superfície. É uma produção policial e de ação, mas com aquela estética chapada das novelas, diálogos paupérrimos e elenco fraco. Repleta de clichês. Ruim do começo ao fim. 

Máfia – 1 

Na cena mais emblemática do primeiro episódio da 1.ª temporada de The Offer, ou A Oferta, da Paramount+, o escritor Mario Puzo, ou melhor, o ator que o interpreta, conta à esposa que finalmente teve a ideia central de livro que poderia ser a solução dos seus problemas. 

Máfia – 2 

Puzo estava falido, devia rios de dinheiro para agiotas e seu livro anterior foi um fracasso de vendas. Eis que surgiu a proposta de tentar uma obra mais, digamos, comercial e que tivesse a máfia no centro da narrativa. 

Máfia – 3 

Ele não queria, mas acabou cedendo. Puzo disse então à sua esposa que o livro não trataria de um gangue, mas de uma família de gângsteres. O mais velho é o esquentadinho, o mais novo é calmo, mas fraco, e o do meio um herói de guerra que foi educado para ser senador e ficar fora dos negócios da família.

Memórias do cárcere

Nascia assim o maior clássico do cinema de todos os tempos: O Poderoso Chefão. É disso que se trata The Offer, atração da Paramount+: uma série para os que são loucos pela trilogia de Francis Ford Coppola ou simplesmente para quem ama cinema. É como se fosse um spin off, mas sobre os bastidores do filme, que renderiam outro filme.

 

Tudo o que sabemos sobre:
streaming

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.