Passinhos sob controle

Reality mostra o estresse de crianças em concursos de dança

JOÃO FERNANDO, O Estado de S.Paulo

07 de abril de 2013 | 02h14

Lidar com crianças ansiosas é um desafio que pode ficar pior quando os pais também são descontrolados. Entretanto, Abby Lee Miller, principal personagem do reality Dance Moms, que estreia hoje, às 22 horas, no canal pago Bio, encontrou uma maneira de controlar as meninas que treina para concursos de dança: ensaios intensos e isolamento da família.

"As mães são ridículas. Eu sempre viajo com as meninas sem as mães porque, normalmente, elas não podem arcar com os custos", disse ao Estado, em uma conversa por telefone com jornalistas da América Latina. Nos EUA, onde o programa é gravado, Abby fez tanto sucesso ao treinar as garotas que já caminha para uma quarta temporada do reality. "Originalmente, o programa era sobre as mães e eu era apenas uma coreógrafa. Então, os produtores viram o que estava acontecendo", conta a norte-americana, que se tornou a figura principal da atração na primeira temporada.

Filha de uma professora de dança que pertenceu à associação de mestres de dança dos EUA, Abby herdou a profissão da mãe, apesar de ter fugido dos palcos. "Queria ser criativa, fazer figurinos. Nunca quis dançar", afirma ela, que decidiu treinar bailarinas depois de ver um grupo de amigas vencer um concurso de dança.

Segundo Abby, um dos segredos para controlar os anseios das alunas e de suas mães é que ela se considera mais ansiosa do que as pupilas. "Às vezes, meus sonhos para as minhas alunas são maiores que os delas, o que pode ser um pouco frustrante", confessa a professora, que dá bronca nas crianças e tem exaltadas discussões com as mães diante das lentes. "É tudo real. E as mães são bem piores diante das câmeras", entrega.

A norte-americana não vê problema em estimular as meninas a ter obsessão pela vitória nos concursos. "Não acho que competir faça as crianças amadurecerem mais rápido. Elas adoram, nunca brigam entre si. Lá (no reality), fazem novos amigos", defende. Abby diz que a culpa da inquietude das alunas vem de casa. "As mães se estressam muito mais. Na nova temporada, temos crianças mais estressadas por isso", justifica ela, que jura não ter contato com as meninas quando elas estão gravando em Pittsburg, onde moram. "Não temos muito tempo de gravação. Ela tem de ir para escola, fazemos tudo muito rápido."

Por não ter um físico adequado para o balé e outras danças que ensina, Abby Lee Miller dá dicas das características ideais para quem quer ter sucesso na modalidade. "Bailarinos vêm em diferentes tamanhos. Tem de ter flexibilidade, pernas longas. Mas o que precisam mesmo é de um cérebro para conseguir fazer a coreografia rápida para fazer testes. Também é preciso paixão para fazer o que gostam", avisa. A professora diz que colheu bons frutos com seu método rigoroso. "A melhor experiência foi ter minhas primeiras alunas em espetáculos da Broadway."

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