Passeio pela história da arte e da tecnologia

Tékhne, na Faap, reúne criações brasileiras de décadas

Camila Molina, O Estado de S.Paulo

02 de novembro de 2010 | 00h00

Em grego, Tékhne quer dizer arte e destreza, mas como título da exposição que está em cartaz na Faap, a palavra remete ainda à vertente de criação artística que se vale da tecnologia, seja a de décadas remotas - e por isso, obsoletas -, ou a de hoje, em obras de artistas novatos e consagrados. Foi esse o viés que a curadora Denise Mattar escolheu refletir quando convidada a realizar uma mostra comemorativa dos 50 anos do Museu de Arte Brasileira (MAB) da Fundação Armando Álvares Penteado - desde a década de 1960, a instituição recebe ou promove eventos do segmento do que poderia ser considerada arte tecnológica.

Sendo assim, Tékhne tem um percurso cronológico, começando pelo ano de 1964, quando ocorreu na mesma Faap a mostra A Instabilidade, do Grupo de Pesquisa de Arte Visual, em que o destaque era a peça Lumière en Mouvement, do argentino Julio Le Parc. Depois, o espectador é levado a descobrir ou rememorar a famosa exposição Arteônica, de 1971, concebida pelo artista Waldemar Cordeiro (1925-1973). "A primeira exposição de arte e tecnologia que foi um marco mundial ocorreu em 1969 nos EUA e dois anos depois já existiu essa de Cordeiro na Faap em que participaram 104 artistas", conta Denise Mattar, que levou um ano e meio em pesquisas e ainda convidou a curadora Christine Mello para ajudá-la na concepção da exposição.

Efervescência. As décadas de 1970 e 80 foram especiais na história da Faap, tanto pela presença de professores como Júlio Plaza (1938-2003), Regina Silveira e Walter Zanini, que promoveu uma ligação direta da instituição com a Bienal de São Paulo (foi curador das edições do evento de 1981 e 1983 e ainda diretor do MAC-USP).

Esse momento está representado por resgates interessantes, como a reconstituição da mostra O Objeto na Arte - Brasil Anos 60, de 1978, organizada por Daisy Peccinini. "Todas as obras criadas pelas chamadas novas mídias eram encaixadas nos salões na categoria "objeto" e essa exposição tratava dessa questão", afirma Denise. A tecnologia ainda é incipiente, mas as curadoras reuniram interessante seção de videoarte com obras de Anna Bella Geiger e Analivia Cordeiro , entre outros. Destaque ainda, no núcleo histórico, para as holografias de Moysés Baumstein (1931-1991).

Contemporâneos. Por fim, a mostra adentra nas mais recentes criações em que o destaque é a instalação Pedra-Luz, da veterana Amélia Toledo, de 82 anos. Em um colchão redondo em que são projetadas imagens de pedras, o espectador se deita, se cobre e se vê, por meio de espelho no teto, em meio a uma cena surreal e terna. O núcleo ainda apresenta obras de Ana Maria Tavares, Luiz Duva, Rejane Cantoni e Leonardo Crescenti, chegando ao trabalho Expanded Eye, escultura interativa em nossos olhos se multiplicam, peça criada pela mais jovem artista da mostra, Anaisa Franco, de 29 anos.

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