''Passei a ser vista como locatária não-normal da Bienal''

ENTREVISTA[br][br]Fernanda Feitosa[br]Diretora DA SP-ARTE

Camila Molina, O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2010 | 00h00

Advogada formada pela Faculdade de Direito do Largo do São Francisco da USP, a carioca Fernanda Feitosa, de 43 anos, é mulher do atual presidente da Fundação Bienal São Paulo, Heitor Martins. Em 2009, durante a eleição de Martins à frente da entidade, o Ministério Público do Estado (MPE) questionou a relação que poderia ter o contrato da SP-Arte com a Bienal - que abriga a feira desde 2005 e continuará até 2015. Não encontrada nenhuma ilegalidade na relação, a gestão de Martins foi, afinal, legitimada a partir de assinatura, em agosto, de Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para que a fiscalização da SP-Arte seja feita por conselho em que não participa o presidente da fundação. A seguir, Fernanda fala do procedimento.

Você tem contrato de longo prazo com a Bienal, até 2015, firmado com a gestão anterior de Manoel Pires da Costa, para a realização da feira. Como ficou para você essa questão?

O Heitor não participa da fiscalização da mesma forma que o Manoel Pires da Costa não participava. O presidente da Fundação não negocia contrato de locação, eu falo com um departamento de locação da Bienal. Eu nunca falei com o presidente da fundação, exceto no dia da inauguração da feira para dar um tapinha nas costas (risos).

Poderia contar como ficou então acertada a fiscalização. Será feita pelo vice-presidente?

Não, a fiscalização do prédio é feita por um funcionário. Mario Rodrigues. Ele é encarregado pela manutenção e supervisão do pavilhão. Pelo Termo de Conduta, ficou acertado que se a SP-Arte amanhã quiser pleitear alguma mudança no contrato que tenho com a Bienal, o que é possível, eu não poderia fazê-lo como qualquer outro locatário normal. Passei a ser vista como locatária não-normal da Bienal, onde, o que eu pleitear, terá de ser analisado por uma comissão, formada por membros da diretoria e do conselho. Foi uma decisão marcada no TAC para salvaguardar a Bienal e a mim. Isso nunca preocupou a gente.

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