Passarela londrina em clima de cor e otimismo

De Christopher Kane a Mario Schwab, passando por Burberry e Matthew Williamson, London Fashion Week aposta em verão vibrante

Flavia Guerra, O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2010 | 00h00

Enquanto o calendário da moda já caminha rápido pelas passarelas de Milão, o saldo da London Fashion Week deixa a sensação de que a comemoração pelos 25 anos da mais moderna das semanas de moda do mundo ainda celebra o ditado "o bom filho à casa torna". Grifes como Burberry, Matthew Williamson e Vivienne Westwood fizeram coro ao discurso do ministro da comunicação, cultura e indústrias criativas britânico Ed Vaizey, que afirmou que "é importante mostrar que, por trás de uma cintilante passarela da Burberry existe um negócio que emprega milhares de pessoas".

Diante da crise que apagou um pouco o brilho das indústrias criativas no Reino Unido no último ano, a política da Burberry de não ser apenas uma "grife" mas sim "uma empresa de design que cria estilo de vida" - a estratégia da empresa de se conectar mais a seus consumidores, adotando estratégias como exibir seu desfile ao vivo em todas as lojas Burberry do mundo e incrementar as vendas diretas na internet - parece estar enchendo Vaizey de orgulho.

De volta às passarelas, a Burberry também aposta no "diferente". Se tanto em Londres quanto em Milão grifes como Williamson e a italiana Dolce&Gabbana trouxeram uma primavera-verão frugal e florida, a inglesa Burberry provou que não está mesmo nem aí para "regras da estação" e que, como grife mais que sedimentada com nada menos que 154 anos, faz o que bem entender. Prova é a peça-chave da coleção primavera-verão: uma nada frugal e pesada jaqueta de motoqueira.

Quer dizer, um trenchcoat de motoqueiro. A peça que ajudou a construir a imagem da Burberry ganhou releitura pós-moderna do diretor criativo Christopher Bailey e virou este híbrido "biker trench". Para completar , saltos altíssimos, cropped pants, tachinha (elas resistem...), minissaias de seda. Para concluir, não é preciso ser pós-graduado na St. Martins, a mais famosa das escolas de moda Londrina, para entender que, se nos últimos meses, a jaqueta-aviador era o must have, pode-se apostar que o biker trench vai ocupar este novo posto com louvor.

Já outro inglês que voltou para casa após algumas temporadas ausente foi Matthew Williamson. Em vestidos esvoaçantes, vaporosos e coloridos, a primavera-verão do estilista celebra cores, assimetrias e franjas. Ainda que item sempre controverso, as franjas surgem coloridas, curtinhas, longas, mas sempre presentes.

Quem também trouxe franjas foi Mark Fast. Há poucos anos figurando no olimpo fashion inglês, o estilista formado pela Central Saint Martins é famoso por seus tricôs e trouxe novamente os míni-vestidos arrastão, que já se tornaram sua marca registrada. Desta vez, acompanhavam minissaias de franjas hiper coloridas em pink, amarelo e laranja. A julgar pela última semana, ainda que muita água vá correr debaixo da passarela, a primavera-verão europeia é clara: cores claras (muito amarelo!) e um certo ar anos 70 vêm por aí.

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