Passagem para a boa arte cênica

Passagem para a boa arte cênica

Espetáculos de trajetória já consolidada por boa recepção participaram da 19.ª edição do Festival de Curitiba, que termina amanhã, oferecendo ao espectador o prazer de apreciar criações felizes. Entre eles, pode-se destacar a produção carioca In on It, com os atores Fernando Eiras e Emilio de Mello; Memória da Cana, do grupo paulistano Os Fofos, dirigido por Newton Moreno, e Escuro, montagem assinada por Leonardo Moreira. O mesmo deve valer para A Farsa da Boa Preguiça, de Ariano Suassuna, dirigida por João das Neves, que estreia hoje na reta final da mostra.

, O Estado de S.Paulo

27 de março de 2010 | 00h00

Entre as peças que iniciaram carreira no festival estão Vida, da curitibana Cia. Brasileira de Teatro. Não por acaso. O processo de criação durou dois anos durante os quais Giovana Soar, Marcio Abreu e Nadja Naira se debruçaram sobra a obra do poeta Paulo Leminski. "Ele é um mito, mas pouco lido." Nesse afã de compreender o universo do poeta, e compartilhar com o público sua obra, realizaram intervenções e saraus em sua sede.

Uma dessas criações de percurso, o solo Descartes com Lentes, da atriz Nadja Naira, baseado num conto curto (pode ser lido na internet) do poeta curitibano, espécie de base para a escrita de seu romance maior, Catatau, acabou sendo um dos melhores trabalhos vistos no Fringe.

O flagrante do filósofo Descartes perdido nos trópicos sem conseguir "pensar" o Brasil a partir da razão cartesiana é transposto pela atriz ao palco com cristalina compreensão e inteligente apropriação do que diz. No seu corpo, o texto ganha expressão com recursos tão simples quanto significativos, como o terno que vai despindo até mostrar signos inscritos na corpo - a exemplo dos índios, enigma para o filósofo. O solo foi apresentado em fevereiro deste ano na Universidade de Paris III.

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