Passagem de Som

LOLLAPALOOZA

Lúcio Ribeiro, O Estado de S.Paulo

14 de agosto de 2010 | 00h00

AQUECENDO PARA O QUE VEM POR AÍ

Em Chicago. Para quem vai encarar uns 90 shows internacionais do segundo semestre brasileiro, um "estágio" rápido no Lollapalooza, festival que se encerrou no domingo passado em Chicago, EUA, foi um grande "aquecimento".

Dezenas de bandas de todas as raças e credos, às vezes quatro ou cinco boas tocando na mesma hora cada uma em um dos sete/oito palcos do festival, e um mar de 80 mil pessoas na média para atravessar de um lugar ao outro.

O primeiro dia do festival, sexta-feira dia 6, foi conhecido como "o dia em que os Strokes enfrentaram a Lady Gaga". Na ponta oposta do gigantesco Grant Park, enquanto miss Gaga arrastava uma horda de fãs para ver sua música enfeitada por figurinos bizarros (trombei com uma fã com oito latas de Pepsi ornando os cabelos), os Strokes vestiam jaquetas de couro em plenos 25 graus (à noite) no show que marcava a volta da banda.

Sem pirotecnia visual, sem música nova, sem falar com o público até a quinta ou sexta canção, tocada sem descanso entre elas, o grupo de Julian Casablancas (foto), que ajudou a transformar a música independente em algo cool no começo da década passada, fez 2010 cheirar o espírito de 2001. Com caras de marrentos, sem muito movimento no palco e com luzes econômicas deixando 50% do show às escuras, como é que uma banda assim (e ainda assim) consegue fazer um show tão incendiário? A resposta é fácil: a coleção de canções boas juntadas em quatro discos (três álbuns e um famoso EP) e tocadas com uma paixão de banda iniciante.

Dizem que o novo álbum será lançado em janeiro de 2011. A música pop está mesmo precisando que alguém devolva a sua graça.

GRANDE MOMENTO

EM DIA DE MADONNA

Tinha tudo para dar errado, mas foi um dos grandes momentos do Lollapalooza 2010. A banda-sensação da música jovem britânica, o trio The XX, apareceu com seus integrantes todos de preto no quarto palco do festival, no meio de uma escaldante tarde de verão, para tocar sua música pop-minimalista, gélida, cheia de silêncios, num lugar com público de festival: ou seja, ambiente totalmente barulhento. Tudo bem que era necessário um esforço para se concentrar "apenas" na música do XX e se abstrair do "clima de festival no parque", mas o show foi daqueles: lindo, raro, calmaria electrorock em mar revolto. Mas o ponto alto da apresentação do XX estava mesmo fora do palco. A expectativa pela performance do grupo inglês no festival americano (isso é informação relevante) lembrou a da Madonna no Coachella 2008. Naquele tinha 30 mil pessoas em volta da tenda dance do Coachella, onde cabiam 6 mil pessoas. No Lollapalooza, falou-se em 30 mil pessoas onde comportava 8 mil.

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