Pas-de-deux de amor e morte

Amor?, de João Jardim, parece um diálogo com Jogo de Cena, de Eduardo Coutinho. Mas apenas diálogo, conversa, referência. O filme de Coutinho revive situações reais por meio de pessoas desconhecidas e atrizes, mantendo a ambiguidade entre umas e outras. No de Jardim, as histórias são sempre interpretadas por nomes conhecidos do cinema e da TV.

Luiz Zanin Oricchio, O Estado de S.Paulo

15 Abril 2011 | 00h00

Em seguida, convém apontar a natureza da pesquisa, que relembra uma verdade já assentada em nossa civilização - o limite, às vezes bastante tênue, entre amor e ódio. A contradança, já apontada por Freud, entre Eros e Tânatos, quando desejo e morte parecem formar um par nada confortável do relacionamento amoroso. Essas histórias pessoais, contadas de forma direta para a câmera, não deixam de ter impacto e interesse. Mesmo porque, confessemos ou não, dizem respeito a todos nós. Sete delas são de envolvimentos heterossexuais; uma delas, narra um tumultuado amor lésbico.

O impacto reside nos casos em si e também na interpretação que ganham dos atores. Faltando o elemento de ambiguidade, nota-se uma carência de profundidade na maioria dos relatos. Algumas histórias são melhores do que outras e determinadas interpretações sobressaem, em detrimento de algumas. Do conjunto, sobra a impressão de que algo falta, um vazio que não vem nem das histórias em si nem das atuações do elenco, mas da própria natureza um tanto seletiva do projeto e da maneira como ele foi transformado em filme.

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