Parque das Ruínas expõe pioneirismo de Moriconi

Doze obras do artista plástico Roberto Moriconi e a Sinfonia Inacabada, que ele estava terminando quando morreu, em 1993, vão ser expostas no Parque das Ruínas, em Santa Tereza, na zona sul, a partir de amanhã. São chapas planas de aço escovado, às quais a luz dá efeito tridimensional. As esculturas pertencem à sua família e foram pouco vistas pelo público. O local foi escolhido por motivos afetivos. Do outro lado da rua, o artista tinha seu ateliê nos anos 60, quando conheceu a mulher, Giovana Moriconi, com quem viveu até morrer e teve três filhos.Giovana faz a curadoria da mostra Moriconi, o Artista Solar. Ela prefere não chamar as obras de esculturas devido à técnica usada pelo artista. "Escultor é aquele que tira a forma da madeira ou do mármore", observa. "No caso do Roberto, os volumes são visuais, criados a partir da incidência da luz sobre a superfície trabalhada." E continua: "Ele dizia que eram feitos a golpes de samurai, pois, uma vez criado o desenho sobre a chapa de aço, não era possível corrigi-lo."O responsável pela montagem da exposição, Nelson Ricardo (com Xico Chaves), prefere classificar Moriconi como precursor da arte virtual, lembrando as posições de vanguarda que ele sempre assumiu. "Hoje todo mundo faz arte em computador, criando a ilusão de volumes que não existem, mas naquela época ninguém pensava nisso", comenta Ricardo. "Durante a exposição, vamos exibir um vídeo de seu trabalho no ateliê, para o público ter uma idéia de como as obras eram concebidas."Esta é a quarta exposição de Roberto Moriconi no Rio após sua morte. Italiano de nascimento, ele chegou à cidade no início dos anos 50 para trabalhar com manutenção de aviões. Na época, já era também artista plástico, com prêmios em seu país de origem. Só às vésperas da década de 60 passou a dedicar-se exclusivamente à escultura, embora tenha mantido o aço como material de trabalho.Concertos visuais - Até os anos 80, participou ativamente da vanguarda, até mesmo criando movimentos e happenings, como os Visual Concerts, em que trabalhava com uma lixadeira de aço ao som de música popular brasileira instrumental.No último período de sua vida, abandonou as obras tridimensionais, muitas delas levadas para espaços públicos, e passou a trabalhar em superfícies planas e com jogo de luz. "Ele usava um cavalete iluminado que estará na exposição", avisa Giovana. "Geralmente, o Roberto fazia esboços do que ia criar, mas nunca se preocupava em guardar esses desenhos."Era ela quem cuidava disso e, certa vez, um amigo da família pediu permissão para vender num leilão um rascunho que havia achado no lixo da casa onde eles moravam. "Ele respondeu que, se estava no lixo, era de quem o achou."Moriconi, o Artista Solar faz parte das comemorações do Rio-2000, Capital da Cultura Íbero-Americana, evento que usa um de seus trabalhos como logomarca. A obra, Homenagem ao Rio, um acrílico sobre tela de 1991, não foi encomendada. "Os grandes artistas são muito rebeldes e não trabalham dessa forma", diz Giovana. "Parece que, quando notam que uma coisa está dando certo no mercado, eles mudam tudo."

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