Parque da Água Branca reabre museu de geologia

O Museu Geológico Valdemar Lefvre (Mugeo) de São Paulo será reaberto no dia 13, depois de ficar fechado um ano para reforma. O museu conta com um acervo exclusivo, com fósseis de dinossauros; uma coleção rara de minerais de todo o mundo; um fóssil raríssimo de morcego e ossos de uma baleia azul de 700 anos, entre outros objetos do acervo permanente. O Mugeo fica no Parque da Água Branca, na capital, e a cerimônia de inauguração será às 10h30, com a presença do secretário estadual do Meio Ambiente Ricardo Tripoli.A reforma custou R$ 100 mil e começou em julho de 1999. Foram feitos novos móveis para a exposição do acervo. "Com as divisões por box e mesas, organizamos os objetos de forma mais didática", explica Fernando Alves Pires, geólogo e diretor do Mugeo. Também foi trocado o piso, melhorado o sistema de iluminação e diminuído o pé direito do edifício. Para a obra, o museu contou com o patrocínio da Fundação Vitae, entidade privada que apóia projetos nas áreas artística, cultural e social, e que destinou uma verba de R$ 54 mil. O museu deve ser visitado por 100 mil pessoas até o fim desse ano.No segundo andar está a exposição sobre a Comissão Geográfica e Geológica, que foi fundada em 1886 com o objetivo de fazer estudos de solo, clima, geologia, e em outras áreas das ciências naturais. Ela foi desmembrada posteriormente e deu origem a diversos institutos conhecidos, como o próprio Mugeo, que surgiu em 1967, o Instituto Astronômico e Geofísico da Universidade de São Paulo (IAG/USP), o Museu do Ipiranga, entre outros. A exposição sobre a Comissão também existia antes da reforma e foi reorganizada. Sua reforma contou com o apoio da Petrobras, que destinou R$ 60 mil. O restante da verba veio do governo estadual.O Mugeo está procurando novos patrocinadores e doadores para a segunda parte de seu projeto, uma ampliação do acervo. Os objetos devem ser instalados fora do prédio do museu e esta segunda fase tem uma proposta de maior interatividade. "Nossa exposição tem como objetivo voltar a geologia para o cotidiano do público, traduzir a ciência usando uma linguagem mais acessível", afirma Pires.Raridades- O acervo do Mugeo conta com raridades como um fóssil de um morcego que foi recolhido em Taubaté. "Só há três registros de fósseis de morcego em toda a América. O que torna esse material tão raro é que é difícil ter um fóssil de um animal que voa porque quando morrem se decompõem facilmente", explicou Fernando Alves Pires. Por causa dessa raridade, o museu ganhou fósseis de mastodontes de um pesquisador de Oklahoma, nos Estados Unidos. "Ele veio até aqui só para estudar o fóssil do morcego e como agradecimento nos doou dois fósseis de mastodonte."Outra raridade é a Coleção Internacional Krantz, com minerais de diversas partes do mundo. Krantz era um mercador alemão do século passado que vendia coleções completas e cadastradas de minerais. "São famosas em todo o mundo e só existem nos melhores museus de história natural. É a única no Brasil e era usada como referência para se comparar com os minerais novos que eram descobertos", comenta Pires. A coleção brasileira está completa, como foi montada por Krantz, e segue inclusive a classificação numérica original. Consta de aproximadamente 600 espécies de minerais, a maioria delas da Europa.A Coleção de Minerais Brasileiros foi basicamente montada com material recolhido em pesquisas feitas no Estado de São Paulo. A classificação adotada na ordem de exposição segue a composição química dos minerais. "Estamos com material recolhido desde as primeiras pesquisas feitas pela Comissão Geográfica e Geológica." Essa parte do acervo tem 500 tipos de minerais.Mas o que chama mais atenção no Mugeo são os fósseis. Colocados em mesas na parte central da sala do primeiro andar, são organizados por ordem cronológica.Entre os fósseis mais recentes, do período Quaternário, está a parte da arcada dentária de dois mastodontes. Um foi doado pelos EUA, o outro foi encontrado em Águas da Prata. Um crânio de Homo Sapiens encontrado em Cananéia, litoral sul de São Paulo, chama a atenção de quem visita o museu. Os ossos de uma preguiça gigante, que deveria ter cinco metros de altura, impressiona.Uma outra parte do acervo mostra de qual rocha ou mineral se consegue as matérias-primas de vários produtos. Assim o visitante vê o amianto, um mineral fibroso que serve para fazer tecidos resistentes ao fogo, por exemplo, e o tungstênio, extraído do mineral wolframita, que serve como filamento de lâmpada elétrica.Dinossauros - A Sala do Mesozóico é a que mais desperta a curiosidade dos visitantes, pois é nela que estão os ossos de um dinossauro encontrado em Pacaembu Paulista, que fica na divisa com Mato Grosso. O dinossauro em questão é um titanossauro. Os ossos estão dispostos na frente de uma grande ilustração do animal, seguindo a ordem em que aparecem no corpo do dinossauro.No andar superior, está a Sala da Comissão, com fotos das missões de pesquisa, objetos e publicações dos primeiros estudiosos da Comissão Geográfica e Geológica. Há inclusive uma mala contendo os instrumentos médicos que eles levavam nas expedições, com uma impressionante coleção de tesouras e serrotes cirúrgicos. Uma parte da exposição é itinerante e já foi vista por mais de 500 mil pessoas no Estado.Ao lado, fica a Oficina Didática, aberta apenas para visitas em grupo. Nela estão coleções de rochas, minerais, ossos e fósseis que podem ser manuseados, com explicações dos monitores e vídeos sobre os materiais. Há experimentações para sentir cheiro, gosto, e até uma mesa onde serão colocados pigmentos de rochas que são usados nos produtos de maquiagem.O Museu de Geologia funciona de terça à domingo, das 9h às 17h, inclusive nos feriados. Para agendar visitas em grupo, de 10 a 30 pessoas, ligar para 11-3673-6797, de terça à sexta-feira, das 9h às 17h. A entrada é gratuita.

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