Paris se rende à moda de John Galliano

Esta temporada de prêt-à-porter, que lança as coleções de quase 150 grifes do mundo todo para o outono-inverno 2002/2003, está sendo especialmente feliz para o inglês John Galliano. Depois do ótimo desfile para a Christian Dior, Galliano repetiu a dose com a apresentação de sua própria grife, que teve o cantor fashionista Lenny Kravitz na platéia.A viagem étnica de Galliano mistura referência dos anos 50, especialmente do New Look criado pelo próprio Dior, com peles incríveis usadas pelos índios americanos. A silhueta fica feminina, com a cintura no lugar, e as saias ganham volume e movimento graças a nesgas e godês, trabalhados tanto em pele quanto em babados e misturando tecidos diferentes, como jeans, seda estampada ou lamê dourado.O New Look de Galliano pode ser um total look de pele, com saia rodada e veste transpassada de capuz ou corset com basque. Incrível. Mas há também vestidos leves e sensuais, que são pontuados por pompons e pingentes de seda, e calças baggy de inspiração utilitária e streetwear, muitas amarradas no tornozelo. Outros destaques: os chapéus-almofada e o make pássaro, com penas pretas, brancas ou pink circundando um olho apenas.Depois de ter proporcionado o chamado "fashion moment" da temporada passada, o cipriota Hussein Chalayan surpreende com sua interpretação da forte tendência folk que está no ar. Uma modelo oriental abre o desfile com um completo aparato ricamente bordado de inspiração turca e fica minutos e minutos imóvel diante da passarela, que tem formas geométricas vazadas criando uma perspectiva especial. O tempo demora a passar e deixa a platéia inquieta, mas a espera logo faz sentido, quando quatro modelos começam a entrar "limpando" aos poucos o look até torná-lo um básico vestido-mantô preto.A coleção de Chalayan circula entre a alfaiataria, com casacos e terninhos pretos com uma leve pincelada cinza, e malhas de jérsei que fazem microvestidos franzidos num intricado jogo de drapeados. Dada hora, a roupa parece vir em pedaços da modelagem de papel, transpostos para o tecido. O resultado é uma forma orgânica que funciona inclusive como acessório da roupa. No final, as modelos refazem a poética imagem do início, como um quadro. Só que desta vez em ordem contrária: começam do marrom puro, ganham sobreposições em "pedaços" bordados e coloridos, e aos poucos recompõem o elaborado look folk inicial.

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