Paris prepara passarelas para o luxo pós-terror

Na sexta-feira, começam os lançamentos de prêt-à-porter de Paris, que mantém seu posto de capital da moda. O evento, que concentra mais de cem desfiles dos principais criadores do mundo, deve expressar de fato os efeitos que a tragédia pode ter no mercado do luxo. O principal deles já se sabe. Cerca de 30 compradores das mais importantes lojas americanas, como a Saks, Barneys e Bergdorf Goodman, decidiram não atravessar o Atlântico neste momento tão vulnerável. A cobertura da imprensa internacional também está comprometida e os hotéis, pasme, têm até vaga nesta época do ano.A expectativa da temporada é grande em todos os sentidos. Como os estilistas esperam ver este "novo mundo" vestido a partir de março de 2002? Como as grifes planejam capitalizar seus investimentos tanto na mídia quanto em vendas? Qual será o retorno real do circo da moda nesse clima instável e pessimista? O prefeito de Paris quer manter a chama da cidade luz acesa e vai promover durante a semana de prêt-à-porter uma festa para 2 mil pessoas - provavelmente a única da temporada.A Gucci avisou semana passada que seus lucros subiram 7,6% no último ano, o que representa um lucro líquido de US$ 83 milhões, mas a previsão para o próximo ano não é nada otimista. Mais do que uma grife bem-sucedida, Gucci hoje é um poderoso grupo de luxo, que tem sob seu guarda-chuva marcas como Yves Saint Laurent, Rive Gauche, Balenciaga, Sergio Rossi, Alexander McQueen e Stella McCartney. Aliás, os desfiles de McQueen e McCartney em Paris, agora sob nova gestão, estão sendo chamados de "a estréia dos Big Macs".Stella é filha do Beatle Paul Mc Cartney e assinou a coleção da grife francesa Chloé nos últimos anos, até que aceitou a proposta de sociedade com o grupo Gucci, de seu amigo Tom Ford. Sua assistente, Phoebe Philo, é a nova estilista da Chloé, que desfila dia 10, enquanto Stella estréia na segunda-feira. Acostumado a desfilar a própria grife em Londres, o inglês McQueen se apresenta em carreira-solo pela primeira vez em Paris, no sábado à tarde. McQueen rompeu com a marca Givenchy, do grupo LVMH, para se associar ao grupo Gucci. Em seu lugar na Givenchy, estréia Julien McDonald, também britânico. Será sua primeira coleção de prêt-à-porter.Já a esperada volta de Helmut Lang a Paris não vai mais acontecer. Desde que se mudou de Viena para Nova York em 98, Lang transferiu seu desfile para lá e pela primeira vez queria voltar a Paris, abrindo os desfiles de sábado. "Vou sentir falta de meus amigos da imprensa internacional em Paris, mas estou certo de que todos entenderão que eu tenho de estar em Nova York agora", avisou Lang em comunicado à imprensa. Além dele, houve poucos cancelamentos como o da Lanvin (agora sem Cristina Ortiz), Cerruti e Feraud, mas o motivo alegado foi a reestruturação dessas marcas. Já a Clements Ribeiro, do brasileiro Inácio Ribeiro e da inglesa Suzanne Clements, acabou transferindo seu desfile de Londres para Paris, aproveitando que também estarão mostrando a nova coleção que assinam para a Cacharel. Outro cancelamento foi da marca espanhola Loewe, que pertence ao grupo LVMH (o maior conglomerado do luxo no mundo). Ela acaba de dispensar Narciso Rodriguez, que era o estilista preferido de Carolyne Besset-Kennedy. Em seu lugar, vai entrar José Enrique Ona Selfa, que assinou um contrato de três anos e apresentará sua primeira coleção para a Loewe em março. Ona Selfa é belga de origem espanhola, tem 26 anos e, dizem, tem em Karl Lagerfeld um grande admirador.

Agencia Estado,

03 de outubro de 2001 | 13h20

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