Paris para lembrar

Em edição histórica, Hedi Slimane estreia na Saint Laurent e Raf Simons mostra primeira coleção prêt-à-porter da Dior

FLAVIA GUERRA, O Estado de S.Paulo

07 Outubro 2012 | 03h11

Listras, quadriculados, alfaiataria, assimetrias, cropped tops, preto e branco, flores, cores e jeans. Depois de Nova York, Londres e Milão, foi a vez de Paris ditar sua lista fashion para o verão numa edição histórica com a estreia de Raf Simons para o prêt-à-porter da Dior e de Hedi Slimane para a Saint Laurent. Em um desfile que mais homenageou a história da grife, Slimane buscou inspiração nas cores e formas do Marrocos (país que Yves adorava).

Se nas semanas anteriores o p&b ganhou força ao ser combinado com a geometria das listras, em Paris o quadriculado ganhou status de estrela na surpreendente coleção de Marc Jacobs para a Louis Vuitton. Mais que isso. Jacobs brincou com a simetria, espelhou sua passarela, e fechou magistralmente a PFW ao transformar o pátio do Museu do Louvre em passarela. Na verdade, instalou escadas rolantes que serviam de passarela à medida que as modelos desciam revelando uma coleção colorida, quadriculada, que brincava com as formas e as cores em uma proposta de verão simples e de silhueta reta. Destaque para os looks de saia longa, remetendo a colunas, e para o jogo de damas formado pelo 'quadriculado Louis Vuitton', um ícone da marca. Não por acaso, o estilista se inspirou na obra do artista plástico francês Daniel Buren (que até há pouco tempo esteve em cartaz no Grand Palais e colaborou para o cenário).

Já Raf Simons, em sua primeira coleção prêt-à-porter para a Dior, provou por que um tanto de mínimo pode ser de fato o máximo.

Os ventos fortes de Galliano cada vez mais dão lugar à brisa calma, porém sofisticada, do estilo sóbrio e elegante do estilista belga. Especialista em alfaiataria masculina, Simons sabe usar sua expertise a favor da silhueta feminina. E, em um dos desfiles mais aguardados da temporada, surgiu com releituras da clássica jaqueta bar, criada por Dior no pós-Guerra. Desta vez, a peça ícone surge com toques de smoking em um casamento perfeito entre tradição e tendência.

Como não poderia deixar de ser, a Dior também trouxe listras e assimetrias ao gosto do freguês e do verão. Vestidinhos em silhueta A (outra criação de Dior, nos anos 50) surgiram em versões em que as listras ultrapassavam a cintura e criavam uma discreta desconstrução visual. Já nos looks mais sofisticados, que lembravam os belíssimos vestidos apresentados na temporada passada em sua primeira coleção haute couture para a maison Dior, saias volumosas e bordadas à mão.

Provando que uma boa dose de sofisticação transforma até o mais básico dos materiais em objeto de desejo fashion, a Miu Miu, a Balmain e até a Chanel surgiram com sugestões de jeans. Karl Lagerfeld, que fez um dos melhores desfiles da temporada, propôs jaquetas cropped em versão blue jeans com ares de anos 80 (proporções grandes e mangas volumosas). Miuccia Prada tratou o jeans como tecido nobre e surgiu com cortes sofisticados, tops, saias lápis e sobretudos combinadas com acessórios pretos. Ares de anos 80 também sopraram na passarela da Balmain. Jeans sem lavagem, ombreiras, cintura alta, calça cigarette, maxi blazer deram o tom blue total à coleção.

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