Paris fecha maratona com estréia brasileira

Paris finalizou a maratona fashion de quase um mês de lançamentos. A temporada parisiense trouxe algumas novidades. Ao que toca os brasileiros, é a primeira vez que estilistas nacionais se apresentam no restrito mundo fashion parisiense. Alexandre Herchcovitch e Icarius foram os responsáveis por levar a bandeira do Brasil para o exterior mostrando que nossa moda é muito mais do que biquínis e tropicalismos exagerados. Herchcovitch fez sucesso com sua coleção de materiais inusitados, como os paetês refletivos e formas retrôs inspiradas nos anos 50 e 60. Já Icarius homenageou a beleza da modelo brasiliera Ana Claudia Michels estampando seu rosto em várias de suas criações.Outra surpresa foi a esperadíssima estréia de Tom Ford na maison Yves Saint Laurent. O estilista norte-americano que colocou a Gucci novamente no circuito das marcas mais desejadas, assume agora a direção do prêt-à-porter da casa francesa fazendo uma interpretação dos clássicos de Laurent com um toque de sensualidade renovada. De 7 a 14 de outubro, Paris mostrou o que vai estar nas vitrines de todo planeta fashion acentuando a tendência do revival dos anos 80, nas formas, nas cores e na atitude punk. Mas há quem saia da rota das tendências e faça uma moda única e característica como Jhon Galliano para Dior, Issey Miyake ou Jean Paul Gaultier.Entre as grandes marcas de Paris estavam Valentino, Chanel, Christian Lacroix, Givenchy, Dior, Paco Rabanne, entre outras. Para Valentino nesta estação a palavra chave são os ponchos em várias versões diurnas ou noturnas. A elegância é sua arma para trabalhar peças como calças cigarrete, shorts, frentes únicas e jaquetinhas curtas. As cores também são chiques como azul marinho, preto, branco e bege com apenas alguns toques de cor nos vestidos para a noite no vermelho batizado com o nome da marca. Apesar da sofisticação, a diretriz do momento, os anos 80, esteve presente em criações mais sadomasoquistas em vestidos pretos de alças cruzadas. Michel Euler/APColeção de Lacroix: luxo e futurismoBizarro, brilhante - Um dos destaques foi Lacroix, que trouxe modelos luxuosos em contrapartida ao vanguardismo e a tendência futurista. O estilista usa tecidos leves, plissados muitas vezes em cores destoantes. O efeito é bizarro, brilhante. Há também os chemisiers com cintos largos e saias curtas com fendas laterias. A sobreposição de materiais leves dão a aura de sensualidade à coleção, com influências orientais nas magas à la quimono e nas estampas inspiradas na caligrafia japonesa. O glamour fica por conta das cores vivas em plumas, espirais de strass e motivos florais.Andando contra a maré também temos Jean Paul Gaultier, que une passado e presente para 2001. Com 102 modelos, o estilista mostra uma série de sobreposições revisitando o antigo e o moderno: são boleros com minissaias de musselina, corselets inspirados no século 18 com saias plissadas, jaquetas de couro com biquínis em crochê ou tricot e assim por diante. Tudo é um grande jogo de contrastes e rupturas. Reverenciando o romatismo dos anos 70, a espanhola Christina Ortiz, ex-diretora de criação da Prada e atual estilista da Lanvin, continua a seguir o estilo que marcou as coleções precedentes. Tudo é muito chic, como os chemisiers abotoados, as pantalonas masculinas, blusas com mangas amplas. A influência New Wave destoa da proposta e a febre do retorno à era disco contamina. Francis Mori/APEstréia de Tom Ford na Yves Saint Laurent"Essência das cosas"- Um dos maiores destaques de Paris foi o sempre inventivo John Galliano. O estilista da maison Dior faz um mix de alta costura com influências da moda londrina mais de vanguarda. O resultado é algo que se assemelha a Spice Girls com meia calça arrastão, jaquetas de náilon escrito Miss Dior, Diorella e Diorissima, e muitos looks que lembram o streetwear. Há também modelos mais kitsch e um segmento de jeans camuflados ou vestidos assimétricos em musselina. Os acessórios punk são a chave da coleção , com maiôs, chapéus de Stpehen Jones e as novas bolsas Dior que certamente serão hit nas lojas.Para consagrar a temporada européia, nada melhor do que tempero novo na passarela. Depois de quase um mês de apresentações, Tom Ford finalizou os desfiles de Londres, Milão e Paris com sua coleção de estréia para Yves Saint Laurent. O americano preferiu não arriscar e fez uma coleção com cores como preto e branco, trabalhando a elegância da maison francesa. Em entrevista coletiva, Ford afirmou que pretendeu retornar à essência das coisas, eliminando tudo que fosse excesso ou supérfluo. O estilista interpreta o clássico smoking YSL, com formas inspiradas nos anos 80 e um toque de sensualidade em recortes inusitados. Os desdobramentos desta peça clássica permeiam a coleção, ora desconstruindo as calças ou os tops. A marca francesa começará a mudança de milênio com ares renovados.

Agencia Estado,

21 de outubro de 2000 | 23h52

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