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Nestlé cria fundo de doações com funcionários de todo o Brasil para combater coronavírus e dinheiro arrecadado será revertido em cestas básicas para favelas, com a distribuição pela ONG Gerando Falcões. Divulgação

Parceria entre ONG e empresa de alimentos garante cestas básicas em favelas durante pandemia

Objetivo da Gerando Falcões e a Nestlé é entregar verbas para comida e produtos de higiene pessoal para 27 mil famílias

Camila Tuchlinski, O Estado de S.Paulo

06 de abril de 2020 | 15h41

Sessenta mil cestas básicas para ajudar dez mil famílias brasileiras que moram em favelas. Esta é a meta da ONG Gerando Falcões pelos próximos três meses - abril, maio e junho prometem ser os mais agressivos com o avanço do novo coronavírus no Brasil.

Para isso, a Organização Não Governamental contará com um fundo criado pela Nestlé com seu colaboradores de todo o País. A cada R$ 1 doado por funcionário - a companhia tem 30 mil -, a companhia dará mais R$ 1. Se um trabalhador decidir dar R$ 50, a Nestlé dará mais R$ 50.

Todo o valor arrecadado será contabilizado e repassado para a Gerando Falcões, que criou cestas básicas eletrônicas para as famílias, como conta do criador da ONG, Eduardo Lyra.

“A gente preferiu fazer de uma forma muito mais digital. Estamos entregando um vale alimentação para 27 mil famílias e vamos alimentar 120 mil pessoas nos próximos três meses. A gente vai entregar para as mulheres das famílias, que poderão comprar produtos de higiene pessoal e alimentos. Dessa forma, é muito mais seguro, evitando possíveis saques de caminhões que levariam as cestas básicas, por exemplo”, enfatiza.

De imediato, a Nestlé doou 70 toneladas de alimentos para a ONG Gerando Falcões distribuir nas favelas. Com os funcionários da empresa, a campanha começou nesta quinta-feira, 2, por tempo indeterminado.

O CEO da companhia no Brasil, Marcelo Melchior, afirma que a parceria com a ONG existe desde 2018 e vai além do assistencialismo. “Quando você é só assistencialista, quando tem a primeira crise, você corta isso. Mas se você tem uma rede de relação simbiótica, não importa se o Marcelo ainda está aqui, o Edu. A coisa continua”, esclarece.

O CEO da Nestlé ressalta que a empresa está mobilizada pela geração de oportunidade, de emprego e de renda, contribuindo para a transformação social de ações contínuas com a Gerando Falcões. Marcelo Melchior disse que, para o segundo semestre, a Nestlé vai atuar na formatação de novos negócios inovadores nas favelas brasileiras, mas não quis adiantar detalhes do projeto.

Edu Lyra, da Gerando Falcões, conta que a ONG não é assistencialista, mas trabalha com planos de longo prazos para gerar empregabilidade e renda nas comunidades. No entanto, por causa da disseminação do novo coronavírus e o medo do intenso sofrimento com uma crise econômica nas favelas, os voluntários tiveram de se adaptar. “Por conta da questão da fome, decidimos colocar a campanha ‘Corona no paredão’. Fizemos a campanha com cinco milhões de reais e criamos a cesta básica eletrônica para a distribuição para as famílias nas comunidades. Com o apoio do fundo criado pela Nestlé,  vamos expandir esse atendimento”, conclui.

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ONG distribui vales cestas básicas para ex-presidiários em São Paulo durante pandemia do coronavírus

Instituto Recomeçar entrega 700 cartões alimentação a egressos e famílias para compra de cestas básicas

Camila Tuchlinski, O Estado de S.Paulo

03 de abril de 2020 | 18h27

Se a pandemia do novo coronavírus e a quarentena causam preocupações na economia, com a previsão de fechamento de empresas e aumento no número de desempregados, imagina a situação daqueles que saíram da prisão e tentam reconquistar um lugar na sociedade?

Pensando nisso, o Projeto Recomeçar, através da ONG Gerando Falcões, pretende combater as vulnerabilidades que a pandemia está causando. “Estamos suprindo as necessidades básicas das famílias através da cesta básica digital. Nessa primeira ação, a ideia é atingir setecentos mil egressos, familiares de sentenciados e comunidades em geral”, afirma o fundador do Recomeçar, Leonardo Precioso. 

Segundo ele, que está há cinco anos fora da cadeia e agora ajuda egressos, as cestas, com um valor de R$ 100, são destinadas principalmente para os ex-presidiários que estão desempregados. As entregas começaram nesta quinta-feira, 2, no Itaim Paulista e em Poá.

Por meio de uma lista, uma colaboradora do Recomeçar, que também já esteve presa, entra em contato com egressos que passaram pela ONG, pergunta se está precisando do vale cesta e envia o link. A pessoa preenche e confirma dia e horário para retirar o benefício, assim, não há aglomeração.

Para participar, o ex-presidiário oferece nome, endereço, idade, número de documentos e o número de registro que passou pelo sistema prisional. Leonardo Precioso acredita que a medida visa amenizar o efeito cascata de carência que o isolamento social pode desencadear entre as famílias mais pobres. “Sabemos das dificuldades que vamos enfrentar. O Recomeçar vem trabalhando e muito na moralização do tema de egressos em meio à sociedade. Juntos somos mais fortes”, conclui.

O Recomeçar é uma ONG acelerada pela Gerando Falcões e funciona há cinco anos oferecendo aos ex-detentos (homens e mulheres) atendimentos psicológicos, sociais, preparação e encaminhamento para o mercado de trabalho. 

A Casa do Recomeçar fica em Poá, município do Alto Tietê, vizinho ao bairro do Itaim Paulista. Todos os dias egressos de vários bairros de São Paulo passam pelo atendimento em busca de ajuda. 

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