Parceiros de palco e tela

Parceiros de palco e tela

Em 2001, quando estava desgostosa com o teatro e se dedicava com mais afinco ao cinema, a diretora e cenógrafa Daniela Thomas foi convidada pela Sutil Companhia de Teatro para trabalhar no espetáculo Nostalgia. "Logo que começamos a conversar sobre John Fante, que inspira a peça, percebemos uma afinidade", conta o diretor Felipe Hirsch. De fato, mais que o mesmo gosto literário, a dupla comunga interesses comuns, como a pesquisa de conceitos e linguagem do teatro. O resultado é uma parceria que frutificou em outras peças, em óperas até chegar ao cinema - na sexta-feira, estreia Insolação, filme com imagens belíssimas e instigantes que trata o amor como utopia. E, no mesmo dia, entra em cartaz o 14.º espetáculo cênico que assinam juntos, Cinema, no Teatro do Sesi.

Ubiratan Brasil, O Estadao de S.Paulo

24 de março de 2010 | 00h00

Habitual parceira de Walter Salles em longas-metragens, Daniela sempre acreditou que a chegada de Felipe Hirsch à tela grande era questão de tempo. "Logo no início da nossa parceria, percebi que ele já criava as peças com uma perspectiva, a de pensar a imagem - há um enquadramento puramente cinematográfico em suas cenas."

Assim, o diretor não precisou pensar muito quando foi convidado pelos produtores Sara Silveira, Beto Amaral e Pedro Ivo para dirigir Insolação. Mas o que de fato consolidou sua estreia no cinema foi o convite (aceito) ao dramaturgo Will Eno para assinar o roteiro, ao lado do também americano Sam Lipsyte.

"Eu experimentava muito no teatro até 2003, quando montei Temporada de Gripe, escrita pelo Will", conta Hirsch. "A partir daí, acredito que meus espetáculos passaram a se contrastar e a se completar." A peça propõe a demolição do amor e do teatro, temas que ecoariam nas obras seguintes do encenador.

É o que acontece com Insolação, conjunto de histórias de amores inalcançáveis e personagens que vagam apaixonados por uma Brasília bela e estranhamente vazia. E também é o caso de Cinema, peça que utiliza a sétima arte para tratar de questões sobre a identificação. "É o teatro olhando para o cinema", acredita Daniela.

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