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'Paraty Em Foco' discute o incerto futuro do fotojornalismo

A oitava edição do evento começa nesta quarta-feira, 26, na litorânea cidade fluminense

SIMONETTA PERSICHETTI - ESPECIAL PARA O 'ESTADO',

26 de setembro de 2012 | 03h42

Como em quase todos os festivais ao redor do mundo - e também na Bienal deste ano em São Paulo -, a fotografia documental e o fotojornalismo parecem ser a tônica. E é sob este tema que se abre hoje a 8ª edição do Paraty em Foco, na litorânea cidade fluminense. "Nesta edição, vamos discutir o presente e o futuro do fotojornalismo, e a retomada da fotografia documental no contexto das transformações tecnológicas e da explosão do número de câmaras nas mãos de fotógrafos profissionais e amadores", comenta Iatã Cannabrava que, com Giancarlo Mecarelli, é curador e coordenador do evento.

Para fomentar as discussões, o diretor geral do World Press Photo, Michiel Munneke, estará presente para ser entrevistado e ajudar compreender, o fotojornalismo contemporâneo. "O que mais me agrada na fotografia documental atual é visão muito pessoal do fotografo. É importante cada vez mais a assinatura do fotógrafo que apresenta de forma muito clara sua visão pessoal. Não me interessam as grandes histórias, mas pequenos contos. Algo original e profundo e, repito, pessoal. Esta, para mim, é a característica da fotografia documental contemporânea", relata, por telefone, de seu escritório na Holanda, às vésperas de embarcar para o Brasil.

Mas se a fotografia documental parece ter crescido e ampliado sua presença no panorama fotográfico, no fotojornalismo, muitas vezes, a desconfiança permanece, pois, tachado de superficial e banal, busca também se recolocar como protagonista. "Hoje, por uma lado, encontramos muitas fotografias feitas por amadores com o uso do celular simplesmente porque eles se encontram diante de um fato, mas esse é apenas um aspecto do fotojornalismo atual. Há um outro lado que são os trabalhos muito mais reflexivos e que se aproximam da fotografia documentária. Trabalho feito com mais vagar e que, de alguma forma, abrem seus olhos e procuram te ensinar alguma coisa", comenta Munneke.

O próprio diretor lembra de que, apesar das queixas, para os leitores, tais imagens de celular ainda fazem sentido, têm força e eficácia de contar histórias que merecem ser vistas.

Sem dúvida, o festival internacional de fotografia, inspiração de muitos outros pelo Brasil, tornou-se referência mundial para se discutir a imagem nas mais variadas vertentes. De hoje a domingo, como em todos os anos, Paraty estará tomada por fotógrafos e fotografias. O curador das exposições deste ano, o catalão Claudi Carreras, rompeu com os muros das galerias e optou por expor em espaços diferenciados da cidade, como na Praia do Pontal e diversos pontos do Centro Histórico.

Neste ano, os destaques ficam por conta do inglês Martin Parr, membro da Magnum e que há anos, com seu humor britânico, se dedica a fotografar as bizarrices humanas ao redor do mundo, sempre levando em conta o cotidiano.

Ao seu lado e não menos irreverente, o argentino Marcos López, cujos trabalhos são definidos pela critica portenha como pop latino. Em sua imagens sempre à beira do kitsch, ele usa a fotografia documental para fazer uma critica social bastante aguda aos costumes de seu país de origem, mas também discorre muito bem sobre os modismos no campo artístico mundial.

Ainda no campo internacional, o dinamarquês Peter Funch apresenta sua visão bastante cinematográfica das ruas de Nova York, onde vive. Por meio da fusão das imagens, as pessoas nas ruas parecem bonecos ou manequins milimetricamente colocados nas calçadas. Também estarão presentes o coletivo italiano Terra Project.

No cenário nacional, figuram o premiado fotojornalista Mauricio Lima, atualmente freelancer do The New York Times, premiado recentemente por sua cobertura na Líbia, e o cearense Tiago Santana, com sua poética visão sobre o sertão nordestino que me muito se aproxima da literatura em contraste com o urbanismo de Cristiano Mascaro, não menos poético. Uma semana onde a nova narrativa do documental será vista e repensada.

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