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Paraty cria museu para preservar sua história

Marcando a abertura, série de debates reúne intelectuais como o pintor Paulo Pasta, artesãos e moradores locais

Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S. Paulo

04 Dezembro 2014 | 03h00

Uma jornada de debates e uma exposição, Histórias e Ofícios do Território, abrem nesta quinta-feira, 4, o Museu Território de Paraty, iniciativa da Casa Azul, que promove há 12 anos a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). Criado para preservar a memória arquitetônica e cultural da cidade fluminense, o museu abriga em sua primeira exposição, no espaço onde antes funcionava o cinema, registros da vida paratiense antes dos anos 1970, quando a rodovia Rio-Santos, BR 101, ainda não existia e Paraty era um lugar de peregrinação da comunidade alternativa, ligada à corrente da contracultura. O acesso, então, era feito só por mar.

O isolamento geográfico de Paraty até a década de 1970, de certa forma, ajudou a preservar o patrimônio histórico e arquitetônico da cidade. Porto de movimento intenso até o século 19, durante os ciclos do café e do ouro, o município passou um século no ostracismo, até ser redescoberto no fim dos anos 1960 por artesãos. Foi pensando na memória dos que se fixaram na cidade e em seus antigos habitantes que a Casa Azul decidiu realizar um projeto de recuperação oral dessa história, que começa com o ciclo de debates no Espaço Experimental de Cultura Cinema da Praça.

Serão três dias de debates, quinta, sexta e sábado. A abertura é nesta quinta, 4, às 18h30, com uma conversa entre o técnico do Iphan André Bazzanella e o diretor da Casa Azul, o arquiteto Mauro Munhoz. Amanhã, às 16 horas, o presidente do Ibram (Instituto Brasileiro de Museus), Ângelo Oswaldo, discute com a economista Luciane Gorgulho, responsável pelo Departamento de Economia e Cultura do BNDES, questões relacionadas ao patrimônio material e imaterial de Paraty, seguindo-se mais duas sessões (às 18h e 20h): a primeira com o pescador e artesão Almir Tã e o professor de Biologia Marinha Rodrigo Leão de Moura (Ecossistemas do Território) e a segunda, O Território Caiçara, com a participação do sociólogo Carlos Alberto Dória e do agricultor paratiense Zé Ferreira.

A ideia de criar um museu sem sede fixa, que vai funcionar por meio de um site na internet, e de marcar seu ano zero com debates entre acadêmicos e pessoas simples de Paraty está de acordo com uma nova concepção de museografia, diz Mauro Munhoz. “Queríamos confrontar a visão de especialistas com pessoas que moram num território conhecido pela leitura, pela Flip, mas que exercem outros ofícios.”

Assim, no sábado, às 15 horas, o pintor e professor paulista Paulo Pasta vai discutir arte com um pintor local, Júlio Paraty, que foi aluno de Djanira, seguindo-se um debate entre a especialista em culinária paratiense Maria Ramek e a antropóloga Paula Pinto e Silva. Além do ciclo será realizada na Casa de Cultura uma oficina de fotografia com Walter Craveiro.

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