Parada gay cresce para vencer o preconceito

O comercial mostrava uma mulher paquerando um homem num bar. Quando ela finalmente o abordava, o rapaz dava uma desmunhecada. O slogan do carro que estava sendo vendido dizia que - ao contrário do que o homossexual acabara da fazer - o veículo não decepcionava. A Associação do Orgulho de Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros (GLBT) de São Paulo considerou a propaganda homofóbica e pediu à Volkswagen e à agência de publicidade Almap uma retratação. Conseguiu mais: as empresas doaram R$ 300 mil para patrocinar vários eventos em comemoração ao mês do orgulho gay.A vasta programação deste ano é um feito inédito da associação, que organiza há sete anos a Parada do Orgulho Gay. Normalmente com verba restrita, a GLBT comemora o orçamento de R$ 600 mil para este ano. Além do dinheiro da montadora e da agência, o evento conta também com patrocínio da Prefeitura de São Paulo. "Quisemos utilizar esta quantia em eventos culturais para mostrar nossa vitória sobre o preconceito da propaganda e também para levar à sociedade a discussão sobre os homossexuais", diz o presidente da GLBT, Nelson Pereira Matias.No Centro Cultural São Paulo haverá shows diversos e exposição de fotografias e charges. A Cinemateca preparou um programa especial com filmes que abordem a homossexualidade, entre eles O Beijo da Mulher Aranha, de Hector Babenco, Vera, de Sérgio Toledo, e Jenipapo, de Monique Gardenberg.No TUSP, será realizado um ciclo de leituras de peças inéditas escritas por Sérgio Roveri, Fernando Bonassi, Antonio Rogério Toscano, Newton Moreno, Mário Viana e Sérgio Pires. Após a leitura, serão realizados debates. Na Biblioteca Mário de Andrade acontece entre os dias 9 e 13 um ciclo de debates sobre homossexualidade.Haverá também atividades esportivas, o Gay Day no parque Hopi Hari e, claro, a Parada Gay na avenida Paulista, no dia 22. No ano passado, a parada atraiu 500 mil pessoas e, neste ano, são esperadas 800 mil. A prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, é presença garantida. Os organizadores vão a Brasília, na quarta-feira, para protocolar um convite formal para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.Todas as atividades terão como base o tema da parada deste ano, que é Construindo Políticas Públicas. Nelson Matias diz que o verbo no gerúndio indica que o universo social para os homossexuais ainda está em construção no Brasil. "Este tema precisa ser abordado porque nós existimos como contribuintes que pagam suas contas e cumprem seu dever, mas não temos direitos garantidos". Ele lembra que o projeto de união civil entre pessoas do mesmo sexo ainda não foi aprovado e que os gays não contam com uma lei contra crimes de ódio, por exemplo. "Há estatutos de defesa da criança e do adolescente, leis de proteção à mulher e ao índio, mas nada parecido para os homossexuais".Clique para ver a programação

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.