Para ver,e saber, mais

Obra de Iole de Freitas é resultado da primeira residência de pesquisa e criação da Casa Daros

O Estado de S.Paulo

01 de abril de 2013 | 02h09

Embora esteja agora sendo oficialmente aberta ao público, a Casa Daros vem realizando atividades há quase seis anos. Os programas e experimentações que vêm sendo feitos pela instituição desde 2007, enquanto o edifício ainda estava sendo restaurado e modernizado, ganham destaque na exposição Para (saber) Escutar, que ocorre paralelamente à mostra Cantos Cuentos Colombianos.

Em uma das salas de exibição, a grande escultura em tons de verde, com quase quatro metros de altura, parece querer ultrapassar os limites impostos pelo espaço de 100 metros quadrados onde está instalada. A obra de Iole de Freitas é resultado da primeira residência de pesquisa e criação da Casa Daros, e busca responder a um questionamento a que se propôs a artista mineira: para que servem as paredes de um museu? "Na arte contemporânea temos essa tensão entre arte e instituição", afirma Iole, ao questionar se tais paredes definem ou restringem o que é arte.

"O trabalho vai expandir-se de tal modo que a força interna dele fará com que o público, após o confronto com aquele espaço ativado pela instalação, passe a levar para fora, arrombando as paredes dos museus, pelo seu próprio olhar e pela experiência adquirida, uma outra potência que sai do individual e vai para o coletivo". É como se a força estética de seus trabalhos contaminasse as pessoas e ativasse nelas esse processo de expansão.

Com curadoria do cubano Eugenio Valdés Figueroa, diretor de arte e educação da Casa Daros, a mostra traz recortes de oficinas, debates e seminários, como um vídeoperformance de Teresa Serrano e Lenora Barros baseado no programa "Meridianos". A série é resultado de encontros entre o público e dez artistas representados na Coleção Daros Latinamerica. Nomes como Waltercio Caldas, Julio Le Parc, Vik Muniz e Iole de Freitas conversaram sobre os caminhos artísticos traçados por eles.

Peças concebidas durante workshops integram a coleção e também estão presentes na exposição, como a obra "Nossa Senhora das Graças", de Vik Muniz, inspirada na imagem sacra que ornamenta a fachada do edifício. O artista usou entulho, móveis antigos e outros objetos descartados durante as obras de restauro para compor um retrato em larga escala da santa.

O processo de transformação do prédio também foi registrado pelas lentes de jovens profissionais da Escola de Fotógrafos Populares da Maré, mantido pela ONG Observatório de Favelas no complexo da zona norte do Rio. O resultado foram 100 mil imagens ao longo desses seis anos. Duzentas delas foram selecionadas para a exposição.

As oficinas e seminários integrarão de forma permanente a programação da Casa. De acordo com Figueroa, serão oferecidos programas de formação de jovens artistas. "A inspiração em Paulo Freire, de que ensinar exige o saber escutar, entrou como princípio programático da casa. Estamos buscando maneiras experimentais de relacionar práticas artísticas e pedagógicas." / H.A.S.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.