Para Umberto Eco, Doris é 'escritora com grande alma'

Escritor italiano diz que nomeação de britânica para Nobel de Literatura é 'merecida'

Agências internacionais,

11 Outubro 2007 | 13h56

O escritor italiano Umberto Eco elogiou nesta quinta-feira, 11, a escritora britânica Doris Lessing após ser anunciada como a vencedora do Prêmio Nobel 2007 de Literatura. "(Doris) é uma boa autora com uma grande alma literária", afirmou Eco. Doris foi a 11ª mulher a faturar o Nobel de Literatura.   Veja também: Doris Lessing, de 87 anos, ganha o Prêmio Nobel de Literatura Leia trecho do livro 'O Sonho Mais Doce', de Doris Lessing Lessing diz que Nobel completa seu 'royal flush' de prêmios Especial Prêmio Nobel    Eco, que estava apresentando a edição alemã de seu livro História da Beleza (2004), disse que a escritora "merece o prêmio sem dúvida. Ainda assim, é estranho que o prêmio volte a ser dado para um autor inglês tão pouco tempo depois de Harold Pinter (2005)", completou o autor de O nome da Rosa.   "O Prêmio Nobel é o mais prestigioso e glamouroso de todos os prêmios e eu estou completamente encantada", disse a intelectual, de 87 anos. "Levamos mais de trinta anos com isto. Ganhamos todos os prêmios da Europa. E fico muito feliz de ter ganhado todos eles", afirmou. "Pessoas que nunca haviam escutado sobre mim, agora vão comprar meus livros."   Em um comunicado publicado pelo escritório de seu agente literário, Jonathan Clowes, Doris afirmou que a vitória "é uma coisa muito positiva. Agora vou poder ganhar algum dinheiro." Doris estava entre os favoritos ao Nobel havia décadas. Em 1979 era considerada uma das maiores escritoras de língua inglesa, mas seu nome desapareceu das listas do Nobel exatamente por conta da pecha dos "candidatos eternos".   Seu agente demonstrou sua satisfação pelo prêmio e assegurou que a homenagem é "muito merecida".   A Academia seuca anunciou que premiou a autora por transmitir a "experiência épica feminina", que descreveu "com ceticismo, paixão e força visionária" a divisão de uma civilização. "Trata-se de uma das decisões mais meditadas que já tomamos", disse o diretor Horace Engdahl, após divulgar o resultado.   Mas a vitória da escritora de The Golden Notebook (O Carnê Dourado), de 1962, não agradou a todos. Considerado o pai da crítica literária alemã, Marcel Reich-Rannicki afirmou que a decisão da Academia Sueca é "decepcionante. A língua inglesa tem escritores mais importantes e mais significativos como John Updike e Philip Roth".   Gottfried Honnefelder, presidente da Associação de Livreiros Alemães, considerou a escolha bastante correta, mas não escondeu sua preferência por Philip Roth, um dos favoritos ao prêmio deste ano.   A mais recente obra da autora, publicada este ano, é The Cleft. Este foi o quarto Nobel concedido neste ano, depois dos prêmios às áreas de medicina, física e química. Os da Paz e Economia ainda serão entregues. O prêmio é de 10 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 3 milhões).

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