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Para reavaliar o legado de Kubrick

O Belas Artes usa a comemoração dos 40 anos de 'Barry Lyndon' para discutir a obra do grande diretor morto em 1999

LUIZ CARLOS MERTEN, O Estado de S.Paulo

04 de abril de 2015 | 02h03

E se for verdadeira a história de que Stanley Kubrick encenou, para a Nasa, a descida do homem na Lua? Cercada de mistério, a trama dá conta de que Neil Armstrong realmente pisou na Lua em 1969, mas diante da falha de transmissão da imagem a Nasa recorreu a Kubrick, que já havia feito no ano precedente 2001, Uma Odisseia no Espaço. Quem melhor que ele para isso?

Impossibilitado de revelar a história, o grande diretor não fez outra coisa, em seus filmes seguintes, senão distribuir pistas elucidativas do fato. Existem documentários e artigos de fundo que dissecam o suposto - e nunca confirmado - complô. Teria sido essa ligação de Kubrick com a agência espacial norte-americana que levou a Nasa a retribuir-lhe o favor. Em 1975, ao adaptar Barry Lyndon, de William Makepeace Thackeray, o diretor e seu fotógrafo, que venceria o Oscar - John Alcott -, decidiram só filmar em ambientes naturais, à luz de velas. A Nasa forneceu a tecnologia e desenvolveu uma lente especial para Kubrick usar.

Verdade? Mentira? O fato é que Kubrick e Alcott realmente filmaram à luz de velas, sem refletores, e que a Nasa providenciou a tal lente. O resto fica por conta de suposições - ou da lenda. Indicado para diversos Oscars em 1975, o filme ganhou quatro - fotografia, trilha, direção de arte e figurinos -, mas perdeu os principais, de melhor filme e direção, para Um Estranho no Ninho, de Milos Forman.

Completam-se, em 2015, 40 anos de lançamento de Barry Lyndon e o Belas Artes vem promovendo, desde quinta-feira, uma retrospectiva parcial, com os seis últimos filmes de Kubrick. O evento, que pega carona no aniversário de Barry Lyndon, leva o sugestivo título de Stanley Kubrick - O Legado. Os filmes selecionados, além da adaptação de Thackeray, são: 2001, A Laranja Mecânica, O Iluminado, Nascido para Matar e De Olhos bem Fechados, o último que ele realizou (e estreou pouco depois de sua morte, em 1999, aos 70 anos).

O mito de Kubrick só tem crescido com o tempo. Seus filmes foram restaurados e vivem sendo reprisados, publicam-se livros sobre ele, uma exposição levou público recorde ao Museu da Imagem e do Som de São Paulo. No fim de semana, e até a próxima quarta-feira, será possível reavaliar o legado de Kubrick no conjunto de salas da Rua da Consolação. Os críticos gostam de dizer que Kubrick criava com a intenção declarada de deixar, para a posteridade, obras-primas definitivas de diversos gêneros.

De alguns, até conseguiu - o filme de guerra (Glória Feita de Sangue), a sátira política (Doutor Fantástico), a ficção científica (2001), o terror (O Iluminado). Pode-se acrescentar ao lote Spartacus, uma obra-prima do gênero épico, mas o próprio Kubrick não gostava muito do filme, sentindo-se tolhido pelas interferências do astro/produtor Kirk Douglas. Seus últimos trabalhos, se não esclarecem complôs, iluminam sociedades secretas. Ele nunca concretizou sua sonhada biografia de Napoleão, mas as memórias de Barry Lyndon, e a ascensão e queda do anti-herói interpretado por Ryan O'Neal, não deixam de ser um suntuoso exemplar de filme histórico.

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