Para que lado eu vou?

Confuso: escadas do Frei Caneca obrigam clientes a rodarem pelo shopping. Mais confuso: no Center Norte, a saída é um labirinto

16 de abril de 2008 | 18h53

Certamente o leitor já deve ter se perdido em um shopping em algum momento da vida. Pode ter sido uma escada rolante difícil de achar, um corredor parecido demais com outro ou uma saída confusa para os estacionamentos. Se a culpa, na ocasião, recaiu sobre sua suposta falta de orientação espacial, saiba que talvez o grande culpado seja a própria arquitetura do estabelecimento, que força-o a percorrer lojas desnecessárias, ou a sinalização confusa.No Frei Caneca, por exemplo, o que mais incomoda é a falta de seqüência das escadas rolantes . É impossível ir do térreo para o terceiro piso - onde ficam os cinemas, os teatros e a praça de alimentação - sem ter de circular, e até mesmo perguntar, muito. Quem entra pelos portões principais, na própria Rua Frei Caneca, precisa ir até o fim do corredor para subir ao segundo andar. Depois, tem de dar mais algumas voltas neste pavimento para, finalmente, encontrar a escada de acesso ao terceiro. Mesmo quem está acostumado a ir ao shopping se atrapalha. Já no Center Norte não é preciso de escadas para se perder. Apesar de ter um único pavimento de lojas, ele é praticamente um labirinto, onde espaços como a praça de alimentação ficam milimetricamente escondidos. Os corredores se interligam de maneira confusa, atrapalhando o passeio até de quem conhece bem o shopping. A impressão que se tem é de que, depois de andar muito, se chega sempre ao mesmo lugar. Nem as placas de sinalização ajudam.  Voltas desnecessárias no Shopping Santa Cruz É de tirar qualquer um do sério. O Shopping Metrô Santa Cruz distribuiu as escadas rolantes de alguns pisos de tal forma que os visitantes são obrigados a circular por um andar inteiro até poder subir ou descer para outro. A volta não é lá muito grande, mas desanima. Imagine ter de passar por todos os pisos só para chegar ao cinema, que fica no último andar. O espaço mais sufocante Uma sensação de claustrofobia pode tomar conta de quem decide almoçar em uma das duas praças de alimentação do Morumbi Shopping. O pé-direito do piso de lazer, onde ficam os restaurantes, é mais baixo do que os demais do estabelecimento - mede 4,12 metros, quase um metro a menos que o dos outros dois pisos, de 5,30m. Mesmo para quem não tem problemas com espaços pequenos, o grande número de pessoas na praça principal na hora do almoço somado ao teto baixo pode ser sufocante. No Espaço Gourmet, a situação é um pouco melhor - os restaurantes são mais caros e não ficam tão cheios. Andando em círculos no Leste Aricanduva Andar pelos imensos corredores do Centro Comercial Leste Aricanduva requer um certo senso de localização - caso contrário, se corre o risco de passear em círculos ou de voltar ao mesmo local. Pedir ajuda aos seguranças pode ser uma saída, já que a sinalização das placas não ajuda muito. Esteja preparado para abordar muitos deles pelos corredores - além de caminhar bastante - se quiser chegar ao Auto Shopping ou ao Interlar, que fazem parte deste gigantesco complexo. A sensação é de se estar em uma pequena cidade. Os números comprovam isso: são 500 lojas distribuídas em 365 mil metros quadrados de área construída. É o equivalente a quase 47 campos do estádio do Morumbi. Basta seguir as placas Para quem vai ao shopping toda semana, as placas de sinalização podem parecer besteira. Mas elas são a salvação dos freqüentadores esporádicos. Afinal, ficar dando voltas e não encontrar o que se procura é muito irritante. Mas este é um problema que não acontece no Pátio Higienópolis. Ninguém fica perdido lá, já que a sinalização do shopping é ótima. As placas estão espalhadas por todos os corredores, dão boa leitura e são visíveis de longe. O bom é que as indicações não se restringem aos banheiros, saídas de emergência e andares, como na maioria dos lugares - elas também sinalizam as lojas.  Sem visualização É praticamente impossível identificar o que dizem as placas em tons claros dos shoppings D e Ibirapuera, que abusam das cores laranja e amarelo na sinalização de todos os andares. Para localizar o banheiro feminino do D, por exemplo, é preciso investigar - e com muita atenção. O mesmo acontece com o Ibirapuera. Só o banheiro do espaço gourmet que leva cor preta. No Butantã o problema é apenas uma sinalização errada. Na entrada do shopping pelo pavimento G2 do estacionamento, perto das esteiras rolantes, há o aviso com a seta indicando onde fica a alameda de serviços. Quem seguir esta indicação certamente irá se perder e não encontrar a alameda. No Market Place, por sua vez, as placas praticamente não existem. Só em emergência Difícil decidir o que é pior: ir de elevador ou de escada para o estacionamento do Light. Se o primeiro é lento, a escada de emergência é suja, escura e mal-sinalizada. Os desavisados podem se atrapalhar, pois não há qualquer aviso de que é preciso descer mais um lance até as vagas.  Torça para não usar a escada Nas áreas mais visíveis ao público, o Morumbi Shopping é todo limpo, bonito e arrumado. Mas não queira usar sua escada de emergência. Além de estar um pouco desgastada, não cheira bem. O odor é especialmente marcante na área de acesso ao Espaço Gourmet, no piso Lazer. Por aqui mesmo? O cinema do Santa Cruz é ótimo: são 11 salas Cinemark, sendo uma especial para a programação da Disney. Mas, no fim do filme, os clientes têm de usar a escada de emergência para ir embora. Só quem pede sai pelo outro lado. Pelo menos, a escada está conservada. Congestionamento nos elevadores A não ser que se tenha tempo de sobra, usar o elevador no Bourbon não é uma boa idéia. A espera é muito longa e, quando ele finalmente chega, está tão abarrotado que provavelmente não será possível entrar. O mesmo acontece no Frei Caneca e no Center 3 aos sábados à noite, por conta da grande movimentação dos cinemas. Aprovado pelas cadeiras de rodas Transitar de cadeira de rodas pelo interior dos shoppings não chega a ser um problema, já que os que não são planos possuem elevadores. Mas Iguatemi, Santa Cruz e Center 3 parecem se preocupar um pouquinho mais com os deficientes. Os três possuem elevador especial para cadeirantes próximo das escadas comuns.

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