'Para o padre eu queria um ator ótimo e BONITO'

Em conversa com o Estado por telefone anteontem, Paulo Caldas comemorava seu 46.º aniversário e a boa fase da carreira e do cinema de Pernambuco. Na conversa, "para completar a prosa iniciada em Olinda", deixou claro que, ainda que profissional, o velho e bom esquema de improvisação criativa que sempre caracterizou o cinema pernambucano se mantém.

, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2010 | 00h00

"Como já havia comentado, o filme baseia-se na realidade do Recife, mas é uma grande fantasia. E resolvemos mudar o nome inicial de Santo Agostinho para Pasárgada, numa referência à onírica cidade de Manoel Bandeira. E, em vez das cenas previstas para serem rodadas em Ouro Preto, resolvemos filmar em Olinda. Agora a cidade também mudou de nome e vai chamar-se Eldorado."

Duas semanas após o início das filmagens, a mudança é mais uma prova da força da nova produção do Estado. "Olinda serve de base para a equipe e Recife é, apesar de levar outro nome na fantasia do filme, muito forte para nosso imaginário. Percebemos que filmar aqui mesmo tinha tudo a ver."

Mais que a liberdade de "despregar" a geografia de sua ficção, Caldas também dá sinais de que o cinema local do Recife ganha cada vez mais ares nacionais com a escolha de seu elenco. Basta observar os nomes que encabeçam a trama para comprovar. Em O País do Desejo, Fábio Assunção vive Padre José, pároco da Igreja de Parságada, cidade onde a pianista Roberta (Maria Padilha) vai parar durante uma turnê. Ela, que reside fora do país, sofre de uma doença crônica nos rins, passa mal durante a viagem e acaba internada na Clínica do Rim, do Dr. Orlando (Germano Haiut) e César (Gabriel Braga Nunes), pai e irmão de José.

"Ambos acabam se envolvendo. Apesar deste filme ser um cinemão muito fantasioso, fala de temas muito pertinentes ao Brasil, como paixão, celibato, religião. E para isso queria um ótimo ator que fosse "um padre bonito". Foi então que Selton Mello me sugeriu que visse Os Maias (de Luís Fernando Carvalho) e pensasse no nome do Fábio para o papel. Assisti e me convenci. E estou muito feliz com a escolha."

O ator também revelou sua satisfação. "Trabalhar com Paulo Caldas é ótimo", disse. "Ele é muito tranquilo, talentoso, criterioso e tem ótima sintonia com toda a equipe." / F.G.

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