Para ler como os autênticos clássicos

Por e-mail, um dos organizadores de Papéis Inesperados, Carles Álvares Garriga, respondeu a três perguntas do Estado.

, O Estado de S.Paulo

26 de junho de 2010 | 00h00

Como você avalia a qualidade literária dos textos deste livro?

A qualidade literária dos textos de Cortázar deve dar-se como estabelecida ao menos a partir de 1951, quando da publicação de Bestiário. Aí já aparece um escritor com pleno domínio dos seus meios. Nesse sentido, nos pareceu que os textos que formam Papéis Inesperados mereciam ser publicados porque eram deste altíssimo nível. Descartamos alguns textos encontrados de data muito anterior, mas decidimos publicar inclusive textos de sua juventude, como aquele é provavelmente o seu primeiro conto e dá início ao volume, para que o leitor possa maravilhar-se ao ver a evolução do escritor diante dos seus olhos. Apesar de o livro ser muito heterogêneo, o unifica a voz inconfundível do autor, o, digamos assim, "tom Cortázar".

Quais desses textos você destacaria?

Destacaria os textos humorísticos, que são os que pessoalmente eu prefiro; as histórias de cronópios, ou desse personagem, Lucas; histórias que Cortázar não se decidiu a publicar no momento porque seguia sempre o lema de Gide: "Ne profiter jamais de l"élan acquis." O impulso adquirido era, claro está, irresistível, e o resultado é de uma comicidade irresistível. Por isso Cortázar conservou esses papéis, à espera de que um dia, um editor...

Acha que esses textos alteram a percepção crítica que se tem de Cortázar?

Os Papéis Inesperados não podem mudar a opinião crítica que se tem de um autor com mais de 30 livros publicados, mas podem ajudar a refrescar a memória das pessoas. A gente os lê e se diz: "Caramba, não me lembrava de que esse Cortázar era tãaaaaaaaaaao bom. Isso acontece quando relemos os clássicos: às vezes nos tiram a vontade de comprarmos as novidades da última semana.

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