Para conhecer o artista Geraldo de Barros

Geraldo de Barros é daquelas figuras essenciais da história da arte brasileira, sobre a qual todos ouviram falar, mas raros tiveram a oportunidade de ver sua obra de maneira ampla, coordenada e com seus nexos poéticos evidenciados. Sua presença é incontornável nas mostras coletivas, mas a última grande individual de seu trabalho ocorreu no Museu da Imagem e do Som, em 1993. Daí a importância da mostra Assimetrias, que será inaugurada esta noite da Galeria Brito Cimino. Projeto desenvolvido pela filha do artista Fabiana de Barros e pelo curador Rubens Fernandes Júnior, a mostra tem como eixo central o último trabalho realizado por Barros, antes de sua morte, em 1998. Foram dois anos de pesquisa de imagens fotográficas de seu acervo pessoal, de colagem de negativos e positivos sobre pequenos pedaços de vidro com pequenos pedaços de uma fita adesiva negra usada em cenografia - que posteriormente seriam ampliados na Suíça sob supervisão de Fabiana -, que renderam um conjunto de 300 imagens reunidas sob o título de Sobras.Esses trabalhos já foram mostrados - em número bem inferior - na Europa e no Sesc Pompéia em 1999. A mostra atual exibe quase uma centena das 300 "sobras" realizadas por ele, o que dá uma dimensão mais profunda do caráter repetitivo e ao mesmo tempo diverso desses jogos infinitos de formas em positivo e negativo. Mas talvez o mais interessante desse projeto expositivo seja o fato de que ele busca elucidar o processo de trabalho de Geraldo de Barros, quer exibindo os bastidores do trabalho (as matrizes de vidro, os negativos), quer desdobrando essa relação no espaço e no tempo ao estabelecer vínculos com outros trabalhos clássicos do artista. Numa mesma sala - e às vezes até associadas numa mesma parede - temos Sobras (1996-1998), Fotoformas (1946-1952), pinturas e colagens concretas (década de 50 e posterior retomada nos anos 90) e obras da fase pop (anos 70), com um destaque para uma das gigantescas pinturas que realizou sobre imagens coladas de outdoors publicitários. Também há espaço na galeria para visões de outros artistas sobre ele e sua obra (como um poema de Augusto de Campos, um retrato pintado por Takaoka ou uma foto de German Lorca) e uma videobiografia feita por seu genro, Michel Favre. Também está sendo preparado um livro sobre o artista, a ser lançado ao fim da mostra, em fevereiro, pela Cosac Naify.Geraldo de Barros. Galeria Brito Cimino. R. Gomes de Carvalho, 842, Vila Olímpia, 3842-0635. 11h/19h (sáb., 11h/17h; fecha dom. e 2.ª). Grátis. Até 4/2. Abertura hoje, às 19 horas

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