Para barítono brasileiro, reação gerou 'um susto muito grande'

No elenco do polêmico espetáculo, Paulo Szot diz ter relido o libreto diversas vezes e afirma que não identificou algo tendencioso nele

João Luiz Sampaio, Especial para o Estado

19 de outubro de 2014 | 03h06

O barítono Paulo Szot conta que a reação perante as críticas à ópera geraram surpresa nos artistas envolvidos. "Meu sentimento foi o mesmo dos demais membros do elenco envolvido na montagem, ao receber as primeiras mensagens duras em redes sociais, quando a ópera foi anunciada: um susto muito grande, uma surpresa", disse o cantor em entrevista ao Estado na noite de sexta, após o ensaio geral.

"Eu reli o libreto diversas vezes e, em momento algum, me parece haver algo tendencioso ou a defesa de um lado em detrimento do outro. A ópera, claro, lida com um fato histórico doloroso, difícil, o que sem dúvida mexe com as pessoas. Mas John Adams faz isso sem favorecer nenhum dos dois lados", afirmou o barítono. "O problema é perceber que a maior parte das pessoas que se coloca contra a ópera nunca a ouviu, protesta sem conhecer. E isso é muito triste, ainda mais quando envolve um movimento artístico e se sugere tirar uma obra do palco."

Szot, que já participou de diversas montagens no Metropolitan, interpreta agora o papel do capitão do Achille Lauro. Ele se diz suspeito ao falar da música de John Adams. "Sou fascinado pela música contemporânea, por novas obras. Adoro a música do Klinghoffer, ela se conecta bastante com a ação. A orquestração e as cores da partitura são incríveis e marcam cada momento de maneira muito clara. No momento em que os terroristas aparecem, por exemplo, a música se torna tensa e este clima vai perpetuar toda a narrativa."

No papel do capitão, Szot é, de certa forma, o eixo em torno do qual as personagens se revelam - e, por conta disso, está o tempo todo sobre o palco. "É uma batalha, um desafio enorme. Mas é gratificante poder trabalhar em uma ópera como essa, tendo contato direto com o compositor durante os ensaios."

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