Para artistas reeleição de Ahmadinejad foi 'golpe de Estado'

Marjane Satrapi, autora de 'Persépolis', pede à comunidade internacional que não reconheça resultado

EFE,

16 de junho de 2009 | 13h55

Os artistas Marjane Satrapi, de Persépolis, e Mohsen Makhmalbaf qualificaram nesta terça, 16, a reeleição do presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad de "golpe de Estado" e pediram à comunidade internacional que não reconheça os resultados oficiais das eleições.

 

Em entrevista realizada na sede do Parlamento Europeu junto ao líder dos Verdes, Daniel Cohn-Bendit, os artistas pediram aos Governos do mundo para esperar a apresentação do "verdadeiro presidente" do Irã que, asseguraram, é Mir Hussein Moussavi.

 

"O que ocorreu no Irã não é nem sequer uma fraude, é um golpe de Estado", assegurou Satrapi.

 

A desenhista mostrou um documento supostamente procedente do Ministério do Interior iraniano no qual se declarava Moussavi como vencedor das eleições.

 

Ela afirmou que o texto calcula em 19.075.723 os votos recebidos por Moussavi; 13.387.104 os de Mehdi Karroubi; e 5.698.000 os de Ahmadinejad.

 

"Isso é tudo. São 12% dos votos, não 62%", disse Satrapi em referência ao número oficial com o qual o atual presidente foi reeleito.

 

A desenhista assegurou que o reformista já tinha recebido a notificação da vitória e estava escrevendo seu discurso quando chefes militares entraram em seu escritório e "deixaram claro que a revolução democrática não ia ocorrer".

 

Para a artista, "os iranianos se expressaram com seus votos, mas não foram escutados".

 

"Reconhecer a legitimidade de Ahmadinejad significaria não reconhecer a legitimidade do povo iraniano", afirmou Satrapi, que pediu à comunidade internacional para apoiar "o movimento democrático".

 

Os iranianos "não querem armas nucleares, querem paz e democracia", acrescentou.

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