Para Antonio Candido, traço de Chekhov

O sucesso de Eça de Queiroz em sua época se deveu especialmente a ele ter atingido leitores semicultos e até mesmo incultos, em um tempo em que a literatura mirava principalmente os letrados - a opinião é do crítico literário Antonio Candido, que lhe dedica um capítulo de seu livro O Albatroz e o Chinês (Ouro Sobre Azul). "Homem desse tempo, ele captou-lhe a cor própria e a incorporou à sua prosa incomparável, transmitindo-as às sucessivas gerações de leitores", escreveu.

, O Estado de S.Paulo

19 de fevereiro de 2011 | 00h00

No mesmo livro, Candido confessa seu interesse pelo conto Um Dia de Chuva, elogiando o trabalho de Beatriz Berrini, que estabeleceu o texto não finalizado de Eça. "Se é inacabado como redação, é completo como composição, sendo uma pequena obra-prima sem polimento final." O crítico observa que a trama é simples, chekhoviana, "com quase nada, fino e leve como teia de aranha". Para ele, o princípio estrutural está na competição entre a chuva que fecha o mundo e a imagem solar da moça que rompe as brumas.

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