Para a Globo, final de "Big Brother" já é feliz

Intrigas, traições, três casais formados, brigas feias ressaltadas por uma edição oportunista e até mesmo sexo explícito em horário nobre. E o diretor Boninho conseguiu o que Silvio Santos almejava. Ao contrário da audiência decadente de Casa do Artistas 2 e 3, a Globo emplacou - graças também aos "ingredientes duvidosos" - a segunda edição de Big Brother.No saldo do programa que termina hoje à noite, alguns números, ainda não confirmados, se destacam: R$ 16 milhões em cotas de patrocínio e de intervalo (número superado apenas pela Copa do Mundo), 55 milhões de votos. Só em telefonemas, esse votos (a R$ 0,27 a chamada) renderam quase R$ 3 milhões. "Credito este sucesso à direção de Carlos Magalhães e à edição espetacular de Eugênia Moreira", comemorou Boninho, o diretor-geral. "Todos se superaram! Nem eu mesmo esperava tanto retorno."Gabriel Priolli, crítico de televisão, em parte concorda com Boninho: "A direção dessa edição foi aprimorada. Acho que a equipe conseguiu instruir melhor os participantes a desempenharem seus papéis. Os candidatos foram escolhidos para criar mais conflitos."Só a audiência ficou a desejar em relação a Big Brother 1. Enquanto o primeiro conseguiu média de 49 pontos no Ibope, o segundo está na casa dos 36. Cada ponto corresponde a 47 mil domicílios na Grande São Paulo.A equipe da Central Globo de Comunicação diz que a diferença se explica pelo horário. Às terças, quando é realizada a eliminatória (o momento decisivo do programa), BBB2 começa a ser transmitido a partir das 23h, uma hora mais tarde em relação a BBB1. E nessa faixa de horário (entre 23h e 24h), a média de audiência da Globo girava em torno dos 20 pontos. Aos domingos (outro momento decisivo que vai ao ar na mesma faixa horária de BBB1), o programa tem média de 32 pontos, três a mais do que a da primeira edição.A expectativa de audiência para hoje é grande. A audiência da final de Big Brother Brasil foi a maior registrada na Globo desde o início da atração, em 29 de janeiro passado. O episódio rendeu 59 pontos de média e picos de 64 pontos no Ibope.Na contabilidade da audiência do BBB2, o maior índice do programa aconteceu na segunda semana. O capítulo que mostrou um "surto" de uma participante, Tina, que promoveu um panelaço de madrugada na casa, conseguiu 51 pontos de audiência.Sexo explícito foi proibido Mas nem sempre o balanço do programa foi positivo. No dia 10 de junho, Big Brother 2 exibiu a primeira cena de sexo explícito em horário nobre da televisão aberta brasileira, protagonizada pela dupla Tarciana e Jeferson.Com o episódio, o secretário nacional de Justiça, João Benedicto de Azevedo Marques, responsável pela classificação que o governo faz dos programa de televisão, ligou para a Globo pedindo que Big Brother Brasil não fosse "tão fútil e vazio" e que passasse "alguma mensagem" ao telespectador.O crítico Priolli ameniza: "Big Brother tem a mesma qualidade de um programa de auditório. É claro que eu preferiria algo mais qualitativo, mas BBB é um entretenimento típico dos dias de hoje." Mesmo antes da ligação do secretário, Marluce Dias da Silva, diretora-geral da Globo, tratou de dar um puxão de orelha nos produtores. E reuniu a cúpula do programa e da emissora para um novo tratamento das imagens, caso o clima voltasse a esquentar.Diante da enxurrada de reality shows deste ano (mais de 10 só até julho), provavelmente as câmeras indiscretas de Big Brother 3 só deverão voltar a ser ligadas no início de 2003. Não pela vontade da Globo, mas por uma exigência da Endemol, produtora holandesa que detém os direitos do programa. Para não desgastar o formato.

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