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Papai Disney, um leal americano

Filha do criador de Fantasia, que sai em Blu-Ray, fala dos 'talentos' do pai

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

28 de novembro de 2010 | 00h00

Diane Disney Miller é a filha mais velha do lendário Walt Disney. Aos 77 anos (nasceu em 1933), ela se mantém ativa à frente dos negócios da família. Seu marido, Ronald Miller, era CEO da Disney Company, mas foi desligado em 1984, quando seu primo Roy E. Disney apoiou Michael Eisner e Frank Wells na briga pelo controle acionário do conglomerado.

Diane e o marido se tornaram vinicultores no Nappa Valley, mas ela nunca desistiu do sonho que acalentava com a irmã mais nova, Sharon Mae, que morreu em 1993. As duas queriam inaugurar o The Walt Disney Family Museum, dedicado à preservação da vida e do legado do criador do Mickey e do Pato Donald.

O museu foi inaugurado em outubro de 2009. A entrevista, por telefone, foi feita a propósito do lançamento no Brasil das edições comemorativas, em Blu-Ray, do clássico Fantasia. O museu, localizado em Presidio, na Califórnia, forneceu muito material para os extras, incluindo desenhos originais da produção de 1940.

Depois da consolidação da TV, seu pai virou sinônimo de diversão familiar, mas em 1939/40, quando fez Branca de Neve e Fantasia, era um artista de vanguarda. Como você o avalia?

Quando Branca de Neve estreou eu tinha apenas 6 anos. Minha irmã havia sido adotada há três. Não tínhamos noção de quem era nosso pai, mas foi um encantamento participar das festas de lançamento de Branca de Neve. Walt revolucionou a animação e ganhou muito dinheiro com o filme. Muita gente o achava aterrador, contraindicado para crianças, mas isso só aumentou sua aura. Ele era, realmente, um artista adiante de sua época. O que ganhou com Branca de Neve, e muito mais, empatou em Fantasia e o filme foi um fracasso. Só depois virou obra de culto e hoje não há quem não o considere um clássico.

Seu pai é personagem polêmico. Circulam muitas histórias, até desabonadoras, sobre ele. Qual é sua lembrança de Walt Disney?

Ele foi um pai maravilhoso, um marido dedicado, um americano leal. Não era perfeito, porque a matéria humana não credencia ninguém à perfeição, mas acho que viveu com honestidade e dignidade. Era afetuoso com todos. Nenhum pai teve tantos sobrinhos. Todos o chamavam de "Uncle" (tio) Walt e ele adorava. Também adorava ousar, abrir caminhos no seu meio de expressão. Nunca ouvi dizer que ele emperrasse a expressão de quem quer que seja. Pelo contrário, sempre ouvi histórias sobre como ele era generoso ao estimular a criatividade dos colaboradores.

Qual é seu favorito da Disney?

São tantos. Mas, a par das animações, tenho um carinho especial por Mary Poppins. Julie Andrews é magnífica.

Numa recente entrevista ao Estado, ela disse que Mary Poppins mora em seu coração e Disney foi um grande incentivador.

Abençoada Julie. Ela é uma lady e assim será sempre. Mas o encanto daquele filme é perene. Não é ousado como as grandes animações, como Fantasia, ao ilustrar a música clássica, mas tem personagens e situações tão humanos que nunca deixa de me encantar.

E o museu dedicado a seu pai?

É um sonho de muitos anos. Antes disso, havíamos inaugurado o Walt Disney Concert Hall, com design de Frank Gehry, em Downtown Los Angeles. O museu em Presidio tem objetos pessoais e documenta o processo de criação de meu pai. Além de desenhos originais e objetos de cena, inclui documentos e testemunhos. Walt gravou muitos depoimentos. Editamos CDs e DVDs só com a voz ou o testemunho audiovisual dele. São muito importantes para a preservação de seu legado e me emociona colocar um desses DVDs e reencontrar meu pai.

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