Matt Kennedy/Marvel Studios-Disney via AP
Matt Kennedy/Marvel Studios-Disney via AP

'Pantera Negra', a chance de o Oscar fazer história

Filme desponta agora como favorito para a estatueta de melhor do ano

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

31 de janeiro de 2019 | 18h38

Caro leitor,

Nosso caminho até a cerimônia do Oscar 2019, no dia 24 de fevereiro, já oferece trajetórias mais claras e, principalmente, um desafio do qual a Academia não pode fugir, aquele que vai torná-la mais popular e até mais respeitada. Qual desafio seria? Premiar Pantera Negra com a estatueta de melhor filme do ano de 2018.

Uma brecha foi oferecida pelos atores que, no dia da premiação de seu sindicato, o SAG, apresentaram duas surpresas. A primeira foi a escolha de Rami Malek, de Bohemian Rapsody, como dono da melhor atuação do ano. Surpresa porque as fichas sempre eram colocadas no quadrinho com o nome de Christian Bale e sua maravilhosa atuação/transformação em Vice. Com ajuda de maquiagem e peruca, ele ganhou contornos exatos de Dick Cheney, o vice-presidente dos Estados Unidos na gestão de George W. Bush, aquele que ficou com olhar perdido diante de crianças quando foi informado de que dois aviões foram atirados por terroristas contra as Torres Gêmeas, em 2001.

Mas isso não seria nada se Bale não apresentasse uma soberba interpretação, conquistada, como ele mesmo brincou, com uma conversa com o diabo que lhe deu as dicas de como se parecer com Cheney.

E, naquela mesma noite, o SAG elegeu como melhor elenco (categoria que se iguala a de melhor filme) o de Pantera Negra. A expectativa era por uma vitória de Green Book: O Guia, que já havia sido eleito pelo sindicato dos produtores. No palco, em meio a um grupo eufórico, Chadwick Boseman, que vive o Pantera, disse que não é fácil, na indústria cinematográfica, ser jovem, talentoso e negro. Disse ainda que, mesmo que não tenha transformado a indústria, o filme era amado e respeitado pelos colegas, o que já era uma grande vitória.

Estaria, portanto, a indústria de Hollywood pronta para ser transformada? Depois de tantos tremores que sacodiram o chão da Academia nos últimos anos - o escândalo sexual envolvendo o produtor Harvey Weinstein (que já inspira uma peça, estrelada por John Malkovich, a ascensão de movimentos como #MeToo (que se espalhou por outros países), a falta de um mestre de cerimônia pela primeira vez em 30 anos, não é chegada a hora de uma mudança radical?

São questões como essa que tornam a espera pela cerimônia ainda mais excitante. Para mim, o ritual já começou com a chegada, na semana passada, da confirmação de meu pedido de credencial. Sim, mesmo que eu esteja envolvido com essa cerimônia desde 2005, a cada ano sobra uma pontinha de receio, uma vez que já vi vários amigos, do Brasil e estrangeiros, reclamarem de, naquele ano, terem o pedido negado.

Neste ano, já há mudanças. O encontro com os finalistas de filme estrangeiro, por exemplo, será em outro dia - tradicionalmente, acontecia nas manhãs de sábado. Agora, será na noite de quinta, dia 21 . O sábado cedo ficou reservado para os filmes de animação, encontro que não existia até o ano passado e agora ganhou um força estupenda. Será que já é uma dica de mudança por parte da Academia? Teremos mais certeza na próxima Supercoluna, quando prometo contar como funciona o rigoroso sistema de segurança - sabia que ninguém pode postar foto se exibindo com a credencial? Conto depois o que acontece.

 

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