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Panorama Sesi de Dança abraça a diversidade

Evento, que se estende até dia 16, reúne produções nacionais e estrangeiras de diferentes estilos

Maria Eugênia de Menezes - O Estado de S.Paulo,

05 de dezembro de 2012 | 02h11

O encontro entre o coreógrafo francês Mourad Merzouki e 11 dançarinos que saíram de favelas do Rio de Janeiro já rendeu dois espetáculos. Em 2008, por ocasião do Ano do Brasil na França, eles criaram Agwa. Dois anos depois, voltaram a estar juntos em Correria. Bem recebidas, as montagens já correram o mundo. E poderão ser vistas pela primeira vez no País hoje, na abertura do Panorama Sesi de Dança.

Na 12.ª edição do evento, que acontece até o dia 16, a dança urbana de Merzouki, mescla de hip-hop com dança contemporânea, oferece boa chave para desvendar a programação assinada pela crítica e jornalista Ana Francisca Ponzio. "Uma proposta que ser antes de tudo democrática", diz ela. "Porque o mais importante é pensar a arte em todas as suas possibilidades. Sem encerrá-la em molduras e sem espantar o público."

Norteada por esse propósito a curadora elegeu coreografias de feições muito diferentes. Criações nacionais e estrangeiras. Apresentadas no palco ou na rua. Obras inéditas ou remontagens sob encomenda.

Ao lado do duo de espetáculos de Merzouki, um dos destaques da seleção internacional é a Cia. Toula Limnaios. O grupo alemão, que leva o nome de sua diretor, apresenta Wut. A montagem chega aqui nos dias 8 e 9, logo após sua estreia Berlim. E, assim como os outros títulos de Toula, promete desestabilizar seus espectadores. A peça detém-se sobre o sentimento de raiva. Mira seus reflexos e desdobramentos, como a agressividade e o medo. Coloca-se como criação de explícito sentido político ao insurgir-se contra aspectos nebulosos da contemporaneidade. A proposta encontra eco na música de Ralf Ollertz, parceiro da companhia e compositor da trilha original.

O sentido de resistência que reveste Wut tem contraponto em coreografias como Caprichosa Voz Que Vem do Pensamento. Com sessão marcada para o dia 7, a obra surge do encontro entre a bailarina Maria Alice Poppe, o músico Tato Taborda e o diretor teatral Aderbal Freire-Filho. O resultado é uma costura delicada da dança com a literatura, o teatro, a mágica e a pintura.

Igualmente sofisticado é o trabalho de Emile Sugai. Em Lunaris, a dançarina cria nos interstícios entre o corpo e a luz - com suas sombras e mitos.

O constante trânsito entre o centro e a periferia pauta a dança que se pratica hoje. E é um dos aspectos iluminados pela curadoria. Assim como as coreografias do francês Mourad Merzouki bebem no hip-hop as obras do paulistano Luis Ferron também trazem à cena manifestações populares. No caso de Sapatos Brancos, que será visto no dia 15, o foco recai sobre o Carnaval e mira com especial interesse a movimentação de um casal de mestre-sala e porta-bandeira. O criador também exibe Baderna - inspirada em rituais afro-brasileiros e apresentada na rampa do edifício da Fiesp, diante do público que circula diariamente pela Avenida Paulista.

Pouco conhecida em São Paulo, a Cia. Gira Dança, de Natal, também merece espaço na programação. "É um trabalho com sentido social, mas com uma inegável qualidade artística", afirma a curadora. Formado por intérpretes com deficiências físicas , o grupo fecha a mostra com Sobre Todas as Coisas. Coreografado por Mário Nascimento, o espetáculo a ser apresentado no dia 16 questiona a condição humana e suas fragilidades. "Mas sem colocá-las nunca como impossibilidades", frisa Ana Francisca.

PANORAMA SESI DE DANÇA

Teatro do Sesi. Avenida Paulista, 1.313, tel. 3146-1405.

4ª a sáb., 20h30; dom., 19h30. Grátis.

Até 9/12.

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