Panorama RioArte de Dança vai às ruas

Começa amanhã um dos mais importantes festivais do País, o Panorama RioArte de Dança. Comemorando uma década, o evento, que vai até o dia 11, contacom 22 companhias e 87 bailarinos, incluindo aí nomes respeitados da vanguarda internacional, como Boris Charmatz, Thomas Lehmen e Rosemary Butcher. Artistas e companhias marcampresença nos palcos do Espaço Cultural Sérgio Porto e no Teatro Carlos Gomes.O Panorama foi idealizado por Lia Rodrigues no início dos anos 90 com o intuito de propagar informações sobre a dança contemporânea, abrir espaço para coreógrafos mostrarem seustrabalhos e, mais, para formar platéia. "Nesses dez anos, posso dizer que a história de muitas companhias misturam-se com ahistória do festival. No início, queríamos mostrar aquilo que estávamos produzindo, debater e levar todas essas idéias para asociedade", comenta Lia.Nesses dez anos de história, em um primeiro momento, o Panorama impulsionou artistas e companhias, como a coreógrafa Débora Colker que deu seus primeiros passos no festival. Nodecorrer de sua existência, a evolução foi constante: muitos grupos de vanguarda passaram a visitar o festival e a cada ano uma novidade marca o evento."Para esta edição, contei com a colaboração de Angel Vianna, Fabiana Brito, Nayse Lopes e Sonia Sobral para realizar a curadoria", diz. "Mas a novidade do Panorama é o Corpo em Risco, que vai colocar os artistas nas ruas e observar otrabalho do corpo em um ambiente urbano", conta.Sob a coordenação de Nayse, o Corpo em Risco é um espaço reservado para a discutir a realidade brasileira. A abertura será na sexta-feira, nos Arcos da Lapa. A partir das 23 horas,Maurício Dias e Walter Riedweg apresentarão a videoinstalação Because I Might Loose. Para isso, dois telões projetarão, simultaneamente, vídeos inéditos.Na segunda-feira, o Corpo em Risco muda de endereço. O Teatro Sérgio Porto foi escolhido para a estréia do espetáculo Suddenly. Anyway. Why all this? While I..., do iraniano HoomanSharifi. Essa coreografia está diretamente ligada à vida do autor. Sharifi passou a infância e parte da adolescência em campos de refugiados. A solidão e desconfiança, comuns naquelafase de sua vida, estão presentes no trabalho, que também possui uma visão crítica sobre a crise no Oriente Médio e destaca a importância das relações humanas.Após a apresentação, Nayse coordena um debate comacadêmicos, críticos e público. Para encerrar, na terça-feira, Alejandro Ahmed faz um espetáculo de 15 minutos com sua companhia, o Cena Onze, para discutir a conexão entre o corpo e a realidade. Silvia Soter coordena o bate-papo.Pesquisas de iniciantes - O Panorama mantêm sua característica de lançar novos artistas no mercado. O Novíssimos abre caminho para artistas iniciantes apresentarem suaspesquisas, coreografias e trabalhos em desenvolvimento. Doze grupos mostram no domingo, numa verdadeira maratona, esquetes desuas criações, a partir das 15 horas no Sérgio Porto. Outra aspecto presente desde a primeira edição é o valor dos ingressos. "Os preços são baixos, os ingressos custam R$ 6, oque facilita a todas as pessoas assistir aos espetáculos e participar da programação", fala Lia. De acordo com a diretora,esse é um incentivo e passo importante para a formação deplatéia.Durante o festival, em meio aos espetáculos e debates, serão exibidos vídeos do Ciclo de Videodança Itaú Cultural - Mostra British Council. A mostra já circulou por quatrocapitais. Uma série montada com material de emissoras de tevêsbritânicas, composta por 25 vídeos, divididos em três séries.Também será exibido Perfis Contemporâneos, de Andréa Loureiro,sobre as criações de Márcia Milhazes. A dança será vista pelaótica das câmeras e, também, pela escrita.Lançamentos - Serão lançados três livros. Coreografiasde uma Década, de Adriana Pavlova e Roberto Pereira,patrocinado pela RioArte e editado pela Casa da Palavra, conta ahistória do Panorama. "Procuramos contar ano a ano, transmitirao leitor o clima, as companhias mais importantes, todas asmudanças que ocorreram gradualmente, enfim, a evolução dofestival", afirma Adriana.Coreografias de uma Década traz fotos, índice comtodos aqueles que participaram do festival, matérias e artigos,trechos de programas - um documento. "Poucas coisas sãodocumentadas no que diz respeito à dança; com esse livropretendemos fazer um registro histórico do Panorama."Uma iniciativa que segue nesse sentido é o Lições deDança 3, também organizado por Roberto Pereira, desta vez aolado de Silvia Soter. Lições é uma coletânea de artigos eensaios sobre a dança que chega ao seu terceiro volume.Práticas de Interculturalismo é uma edição bilíngüe,português/inglês. A obra possui uma seleção de artigos sobremulticulturalismo, resultado de palestras realizadas no FestivalDanças na Cidade, em Portugal.

Agencia Estado,

30 de outubro de 2001 | 16h55

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