Panorama do MAM, revelando talentos

O que é arte brasileira? Há uma exposição tradicional, realizada desde 1969, pensada para, bienalmente, chegar a um tipo de resposta a essa pergunta nada simples: o Panorama da Arte Brasileira do Museu de Arte Moderna de São Paulo. "Pensar o Brasil esteve na concepção dessa mostra, regular, desde o começo. Por isso, nesta edição, quis incluir artistas das 14 cidades que visitei", diz Felipe Chaimovich, responsável pela curadoria do Panorama 2005, que será inaugurado no sábado no MAM. Chaimovich chegou a um vocabulário universal para tratar a produção brasileira, bebendo na fonte de oito gêneros tradicionais - natureza-morta, paisagem, retrato, costume, alegoria, história, emblema e religiosidade. Nas duas salas do museu, inseriu trabalhos de 50 artistas (alguns, grupos e duplas) a partir de definições contemporâneas desses termos. As associações entre as obras e os gêneros não se dá de forma óbvia. Já as mídias são tantas - há performances, trabalhos de áudio -, não se fecham nas tradicionais pinturas e esculturas tão caras a esses gêneros quando se pensa na história da arte. Se paisagem é, na definição presente na mostra, "figura de lugar" ou "composição a partir do horizonte", está para representá-la uma grande obra de Nuno Ramos na Sala Paulo Figueiredo: um barco recoberto com massa negra feita a partir de mistura com areia. No centro do espaço, o Pionero - como vemos escrito naquele casco - está a colidir com outro barco e a experiência de paisagem, de horizonte, para o espectador, é percebida ao circundar a obra. No segmento religiosidade, não há Cristo nem santos, mas um trabalho sutil e aflitivo de Miguel Chikaoka. Ele colocou numa caixa de acrílico três fotos de olhos, em transparências, perfuradas por grandes espinhos.O conceitual Paulo Brusky, do Recife, está no núcleo dos costumes - "hábito do dia-a-dia, comédia de nossos semelhantes" - com a intervenção (nunca realizada)Expediente, de 78: um funcionário do museu ficará trabalhando no espaço expositivo mesmo, tendo lá sua mesa, computador, telefone... Como diz o curador, cria-se então ruídos. Para falar de uma arte nacional, portanto, Chaimovich recorreu a um sistema de termos universais, que não se fecham em si e não podem ser vistos como estilos. Nenhuma das obras foi criada para a ocasião - e muitas foram conhecidas pelo curador em viagens e diálogos com os artistas, entre janeiro e julho. Dessa maneira, pode-se dizer que o Panorama 2005 "vai para além do Brasil". Panorama da Arte Brasileira 2005. MAM. Parque do Ibirapuera, portão 3, tel. 5549-9688. 10h/18h (fecha 2.ª). R$ 5,50. Até 8/1. Abertura sábado, 11h

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.